Qual é a história do leque, principal acessório da Parada do Orgulho LGBT+?
Ao longo dos anos, o objeto transformou-se em símbolo importante para a comunidade

Seja em uma única tonalidade, com estampas ou até mesmo trazendo as cores do arco-íris, o leque atravessou séculos de história e ganhou força suficiente para se tornar um dos grandes protagonistas dos eventos de cultura pop, encontrando seu significado mais profundo nas mãos da comunidade LGBTQIA+.
Nos últimos anos, em um movimento de ressignificação cultural, o objeto deixou de ser um simples acessório para amenizar o calor. Adotado como uma ferramenta de comunicação não verbal e símbolo de resistência, o ato de abrir e fechar suas hastes transformou-se em uma linguagem própria de empoderamento.
Hoje, mais do que uma peça de composição estética ou alívio térmico, o leque carrega a força de um coletivo que, ao ocupá-lo como extensão do corpo, celebra a identidade, a liberdade e o orgulho de pertencer a um espaço conquistado com coragem e visibilidade.
Mas, afinal, qual é a história do leque?
Segundo informações do Museu da Moda Brasileira, compartilhadas pelo Google Arts & Culture, acredita-se que o leque teve origem na China por volta do século VII, embora já fosse retratado desde a antiguidade em pinturas murais do Egito, Assíria e Pérsia. Difundido no Japão, o acessório foi levado para a Europa no século XV.
Nascido como um instrumento utilitário de fazer vento, o item teve sua linguagem social estabelecida definitivamente nas cortes francesas do século XVIII, principalmente no governo dos reis Luis XIV e Luis XV. Em diversos formatos e materiais luxuosos, o leque tornou-se indispensável no vestuário da sociedade durante o século XIX, sendo considerado forte símbolo de luxo, status e elegância.
Já em terras brasileiras, sua utilização se espalhou no século XIX, com chegada da Família Real Portuguesa. D. João VI foi o responsável pela introdução do costume de leques comemorativos, que estampavam momentos importantes da história do país.
No período áureo, por exemplo, o acessório era usado por homens e mulheres, como instrumento de comunicação e flerte os entre casais: dependendo do posicionamento do leque em relação ao corpo, uma mensagem diferente era enviada.
Os exemplares mais antigos eram feitos de materiais nobres, como penas e pedras preciosas, folhas e até mesmo pergaminhos. Mais tarde, passaram a incorporar tecido, renda, seda, com bases pintadas, bordadas com lantejoulas ou fios dourados e prateados.
Já na transição para o século XX, os leques ganharam uma "face" mais comercial, tornando-se veículos de propagandas de ideias para exibir mensagens distantes dos dois lados — uma para o portador e outra para o observador.
Símbolos na comunidade LGBTQIA+
Gradualmente, o acessório se transformou em um símbolo importante de identidade na comunidade LGBTQIA+, fortemente atrelado à cultura de boates, festas, drag queens e, essencialmente, à cultura ballroom — movimento de resistência e celebração criado nos anos 1970, em Nova York, por pessoas LGBTQIA+ negras e latinas.
Muito além de ser útil para aliviar o calor das pistas de dança, o leque virou item performático, uma vez que o ato de abri-lo e fechá-lo de forma ritmada produz um estalo característico, o famoso "clack", que, além de pontuar os passos coreográficos, também chama a atenção.
Nos anos 2010 e, sobretudo, após a pandemia de Covid-19, o objeto explodiu em festivais, blocos de Carnaval e shows pop. Alguns momentos emblemáticos nos últimos anos consolidaram essa febre.
Em 2022, com o lançamento do álbum "Renaissance", Beyoncé trouxe de volta a cultura ballroom ao mainstream. Durante sua turnê, o "tra" síncrono dos leques na performance da música "Heated" era um dos instantes mais aguardados da apresentação.

Já em 2024, o acessório foi presença constante na plateia de Madonna, que fez um show histórico na praia de Copacabana, encerrando a "The Celebration Tour". Por lá, o público "cortava o ar" ritmicamente durante o clássico "Vogue".

Mais recentemente, o item roubou a cena na apresentação de Lady Gaga no Rio de Janeiro. O acessório novamente virou uma verdadeira extensão da plateia, sendo batido por milhares de fãs em uma demonstração de energia e fervo.


