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Referências e inspirações no estilo "bandivo" de Bagdá em "Três Graças"

À CNN, Paula Carneiro, figurinista da novela, detalha processo criativo na criação do personagem interpretado por Xamã

Caroline Ferreira, da CNN Brasil
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Dono de um armário com looks maximalistas e texturizados, Bagdá, personagem de Xamã, 36, em "Três Graças", vem movimentando as redes sociais. Chefe do tráfico da Chacrinha, ele rapidamente ganhou apelidos de "bandivo" e "traficunty" justamente por ostentar um visual ímpar.

À CNN, Paula Carneiro, figurinista da novela de Aguinaldo Silva, conta que desde o início, a ideia da equipe e direção era em não apostar em um figurino realista, partindo do ponto de que a produção não é uma obra documental, mas de ficção e criação.

 

"A gente queria trazer uma vaidade para esse personagem e que era pedida no texto. Sempre pensamos nele como o rei da selva, ele é dono daquilo. Por isso, nos inspiramos no animal print, com leões e tigres. Buscamos um pouco dessas estamparias em casacos, coletes e até mesmo em grafismos das camisetas, peças mais amplas, como se ele realmente ocupasse um espaço com a roupa, não apenas com o posto que ele tem, mas com a roupa que ele veste”, comenta.

A cultura Harlem dos anos 1970

O processo criativo de Bagdá também bebeu das referências dos anos 1970, com a vibrante cultura Harlem, bairro de Nova York, nos Estados Unidos, famoso por seu papel na história e cultura afro-americana. Essa década viu a ascensão de organizações como os Panteras Negras, que também inspirou novos movimentos de renovação cultural.

"A gente buscou toda uma inspiração no Harlem, em James Brown, nos cantores e rappers americanos. Vem daí essa pegada dele, o fato dele estar sempre muito bem vestido, muito descolado. Adoro os termos 'bandivo', 'bandido fashion'. Acho que o pessoal entendeu que era bem isso que a gente queria trazer para as telas", brinca.

Paula diz ainda que, casualmente, a equipe teve acesso a Jorge Negrão, ex-chefe da Maré, no Rio de Janeiro, no início dos anos 1990. Estudante de Teatro, ele era considerado um dos traficantes mais estilosos da cidade, sendo apelidado de Eddie Murphy, por se parecer com o personagem de “Um Príncipe em Nova York”. "De alguma maneira, intuitivamente, isso corroborou na criação que a gente fez", recorda.

Longe das câmeras, Xamã também tem a possibilidade opinar sobre o que Bagdá vai usar em cena. "O figurino é uma segunda pele para o elenco vestir e se aproximar do personagem. A troca com ele é sempre muito bacana e rica. O Xamã é super estiloso e veste a roupa muito bem. Ele faz parte dessa conjunção até porque é ele quem leva a nossa criação", garante.

Casacos, durags e muitos acessórios

Entre pelúcias falsas e outras peças amplas, outro destaque explorado fica por conta dos acessórios, como um anel com o "B", chaveiros personalizados com o nome do chefe, toucas com miçangas, brincos, óculos com oncinha na lateral e até durags, as clássicas bandanas de tecidos, com significado histórico profundo, originalmente usadas por afro-americanos escravizados para proteger a cabeça.

"O que nunca vai faltar no armário dele é estilo. Ele vai sempre contar uma história. Acho que a roupa ajuda a trazer essa onipresença. Acho que o público já entendeu que ele é assim mesmo. Esperamos ver cada vez mais essa identidade de 'bandivo' do Xamã com o seu Bagdá", conclui.

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