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    Second Hand September: movimento incentiva consumo consciente de roupas

    Campanha de conscientização da ONG britânica Oxfam acontece durante todo o mês de setembro, desde 2019, e promove moda circular

    Movimento da ONG Oxfam incentiva o consumo consciente por 30 dias em setembro
    Movimento da ONG Oxfam incentiva o consumo consciente por 30 dias em setembro Unsplash/Noémie Roussel

    Beatrice Teizencolaboração para a CNN

    Setembro é um mês movimentado para o setor da moda, pois é quando acontecem as semanas da moda da temporada Primavera/Verão 2024, com uma série de desfiles das principais marcas e grifes mundiais em Nova York (EUA), Londres (Inglaterra), Milão (Itália) e Paris (França).

    É também um período importante para o consumo consciente, já que, desde 2019, a campanha Second Hand September (“setembro de segunda mão”, na tradução livre) toma conta do calendário da indústria da moda circular.

    Criada pela ONG britânica Oxfam, que atua no mundo todo, a campanha de conscientização tem como intuito incentivar as pessoas, durante 30 dias, a comprarem roupas de segunda mão, a consumir em brechós, a doar, a alugar e trocar entre si e, principalmente, a adquirir hábitos que ajudem a reduzir o desperdício e pensar no mundo de forma mais consciente, tendo as mudanças climáticas em mente.

    “O que você veste nunca foi tão importante. A indústria da moda é uma das maiores responsáveis pelas emissões de gases com efeito de estufa. Entretanto, as pessoas que menos fizeram para causar a crise climática enfrentam consequências muito reais. Comprar e doar em segunda mão é um passo que podemos dar para construir um mundo melhor, mais seguro e mais justo”, diz a Oxfam em sua página dedicada ao movimento.

    Segundo a ONG, quando um novo par de calça jeans é fabricado, por exemplo, são emitidos cerca de 16,2 kg de gás carbônico (CO2) – o equivalente a dirigir mais de 93 quilômetros de carro.

    “Este é um movimento fundamental para conseguirmos mudar a lógica de consumo da indústria da moda, conscientizando as pessoas a comprar roupas usadas, ampliando, dessa forma, o ciclo de vida útil de peças que já existem e que já impactaram o meio ambiente. Por isso, nas nossas comunicações, reforçamos que a roupa mais sustentável é aquela que já existe, e a gente trabalha para que as pessoas reflitam sobre isso e deixem de lado os preconceitos. A indústria da moda é a segunda mais poluente do mundo e o movimento de circularidade é a forma mais eficiente de diminuir esse impacto ambiental”, afirma Luanna Toniolo, CEO da Troc, startup de moda circular.

    De acordo com Luanna, são muitos os motivos, tanto sociais quanto ambientais, para se consumir roupas usadas e adquirir peças em brechós. Por meio da moda circular, sua empresa ajudou a economizar mais de 1,4 bilhão de litros de água. Além disso, cerca de 213,6 toneladas de roupas a menos estão em aterros sanitários e menos 1.663,7 toneladas de CO2 estão na atmosfera do planeta.

    “Já em termos sociais, além de tornar a moda acessível para mais pessoas e promover um consumo consciente e ético, nós também nos relacionamos diretamente com causas sociais. Na Troc, por exemplo, as peças que não estão aptas para serem comercializadas são destinadas para doação para ONGs. Fazemos doações regulares, e já disponibilizamos mais de 62 mil peças de roupas doadas para ONGs parceiras”, conta.

    Prática está mais comum

    Apesar de o hábito de consumir roupas de segunda mão ainda não ser totalmente difundido pelo Brasil – na Europa e nos Estados Unidos há mais costume –, é possível notar uma evolução grande no país.

    “Aqui no Brasil, nos últimos anos, muitos negócios de second hand, grandes e profissionalizados, vêm puxando o mercado e elevando a régua, e isso é muito positivo. Grandes redes de varejo também têm se associado a marcas de brechós, o que ajuda a massificar a mensagem para o público final. Influenciadores e celebridades também estão engajados no assunto, com lojinhas em brechós e parcerias com marcas de segunda mão”, diz Luanna.

    Dicas para quem está começando a comprar roupas usadas

    Comprar roupas usadas, frequentar brechós, adquirir peças de segunda mão e praticar um consumo consciente faz bem para o meio ambiente, para o bolso e para o estilo. Os produtos de segunda mão são, em média, de 70% a 80% mais baratos comparados ao preço original de itens novos. E esses descontos podem ser maiores ou menores de acordo com o produto.

    “A exclusividade também é um fator atraente. Você tem a oportunidade de encontrar roupas únicas, como peças vintage que não estão disponíveis nas lojas convencionais. Isso permite que os consumidores expressem seu estilo de forma distinta e autêntica”, pontua a CEO da Troc.

    Para fazer compras de segunda mão assertivas, o mais importante é conhecer o seu guarda-roupa para não comprar nada em excesso. Optar por peças versáteis e duráveis, analisando ocasiões em que a usaria, estações e, ainda, se combina com outras roupas do seu armário.

    “Também é importante pesquisar e encontrar brechós locais e virtuais que sejam confiáveis e que você possa explorar opções variadas. Reserve um tempo para conhecer novos brechós ou diferentes tipos de lojas de segunda mão on-line ou off-line. Esses lugares estão repletos de itens com ótima qualidade e custo-benefício. A dica vale para viagens nacionais e internacionais também, afinal, bons achados são sempre bem-vindos”, conclui.