Virginia: entenda os efeitos emocionais em filhos que crescem sob holofotes

À CNN, a neurocientista Telma Abrahão explica como crianças são afetadas quando vivenciam separações e novas uniões sob o olhar da mídia

Caroline Ferreira, da CNN Brasil
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A oficialização do namoro entre a influenciadora Virginia Fonseca, 26, e o jogador de futebol Vini Jr. 25, dominou as redes sociais na última terça-feira (28).

Os rumores do romance pipocaram entre os internautas alguns meses após o fim do casamento da famosa com o cantor Zé Felipe, 27, que também já engatou o relacionamento com a sertaneja Ana Castela, 21. Além da repercussão imediata, não apenas pelo envolvimento entre grandes nomes da indústria do entretenimento, o alvoroço midiático também se deu pelo impacto familiar causado pela grande exposição.

 

Juntos, Virginia e Zé Felipe são pais de três filhos, Maria Alice, 4, Maria Alice, 3, e José Leonardo, 1, e a rápida transição reacende um debate necessário: como essas situações afetam emocionalmente as crianças, especialmente quando elas vivenciam separações e novas uniões sob o olhar constante da imprensa?

À CNN, a neurocientista e especialista em desenvolvimento infantil Telma Abrahão, diz que toda separação impacta emocionalmente as crianças, mas o que define a intensidade desse impacto é a forma como os adultos conduzem o processo.

"O cérebro infantil ainda está em formação e depende da sensação de segurança para se desenvolver de maneira saudável. Quando há instabilidade, tensão ou mudanças bruscas na rotina, o sistema nervoso da criança entra em estado de alerta, ela não entende o que está acontecendo, apenas sente que o ambiente deixou de ser previsível e seguro. Com uma condução consciente, diálogo respeitoso e estabilidade emocional dos pais, o divórcio não precisa se transformar em trauma", explica.

Uma vez que os pais já se colocaram em novos relacionamentos, uma das alternativas para manter os pequenos minimamente protegidos da exposição, de acordo com a neurocientista, é priorizar o lado emociona, preservando, ao máximo, a sensação de segurança.

"Mesmo que os adultos estejam prontos para seguir em frente, é importante compreender que o sistema emocional infantil leva mais tempo para se adaptar. Por isso, o ideal é que novas relações sejam apresentadas de forma gradual, em momentos tranquilos e sem exposição pública. Evitar manchetes, fotos e comentários sobre o novo relacionamento ajuda a reduzir a confusão emocional e protege o espaço interno da criança, que precisa assimilar as mudanças aos poucos, dentro de um contexto de estabilidade", acrescenta à CNN.

Telma também detalha a importância de oferecer às crianças três elementos principais: previsibilidade, presença e corregulação, ou seja, adultos emocionalmente disponíveis e estáveis, ajudam crianças a lidarem com os próprios sentimentos.

"Por isso, é necessário manter a rotina, validar as emoções (“Eu sei que isso está sendo difícil para você”) e evitar expor a vida pessoal publicamente são atitudes que fortalecem a segurança emocional. A neurociência mostra que o cérebro da criança se desenvolve a partir da sensação de segurança e vínculo. Por isso, quanto mais os pais demonstrarem união no cuidado, mesmo separados, menor será o impacto da separação no desenvolvimento emocional e psicológico dos filhos", conclui.