Setores afetados por tarifaço reforçam busca por diálogo com os EUA
Trump assinou nesta quarta-feira (30) ordem executiva que eleva tarifa ao Brasil para 50%

A lista de produtos que se safaram do tarifaço de Donald Trump é extensa, mas alguns setores com vendas expressivas para o mercado norte-americano - como o de café e carne - e outros que dependem fortemente das vendas para lá - pesca e madeira - não foram poupados.
"Precisamos de ajuda do governo", exclamou à CNN Eduardo Lobo, presidente da Abipesca (Associação Brasileira das Indústrias de Pescados). A entidade levou ao governo um pedido por uma linha de crédito emergencial ao setor.
Antes prevista para 1º de agosto, a tarifa de 50% entrará em vigor sete dias após a publicação da ordem executiva, que foi assinada por Trump nesta quarta-feira (30).
"A notícia, claro, ainda é negativa para o Brasil. Vamos continuar trabalhando para ampliar a lista de produtos isentos", escreveu Jorge Viana, presidente da ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos).
Representantes dos setores afetados, como a Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), afirmam, em nota, que mantêm diálogo com suas contrapartes nos Estados Unidos para buscar interlocução com as autoridades de lá e estender a lista.
"Na relação comercial cafeeira entre EUA e Brasil, as nações são imprescindíveis uma à outra, uma vez que os cafés brasileiros representam uma fatia superior a 30% do mercado cafeeiro norte-americano, sendo o principal fornecedor ao país, ao passo que os EUA respondem por 16% das exportações do produto nacional, sendo o principal destino de nossas exportações", destaca a Cecafé.
Somada à alíquota atual de 26,4%, a carga tributária total ultrapassaria 76%, o que, segundo a Abiec, compromete a viabilidade econômica das exportações ao mercado norte-americano. A expectativa do setor era de atingir 400 mil toneladas este ano, ante 229 mil no anterior.
O decreto desta quarta eleva em 40% uma alíquota de 10% já aplicada desde o dia 2 de abril contra as importações brasileiras. Os produtos contemplados entre as exceções serão onerados com a taxa mais baixa.
Entre quem já tem uma avaliação, o consenso é de que o tarifaço é uma relação "perde-perde" para as partes.
"A Fiesp lamenta a imposição da tarifa de 50% sobre uma parte das exportações brasileiras para os EUA, sem razões econômicas que a justifique. Acreditamos que o continuado diálogo entre as autoridades dos dois países levará à eliminação da sobretaxa e ao aproveitamento das inúmeras oportunidades em benefício de nossas populações", escreveu a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo em nota.
"Trabalharemos junto ao governo brasileiro para a adoção de medidas eficazes que venham minorar os impactos econômicos para as empresas atingidas."
Contudo, há relatos de setores que ainda não compreendem exatamente como serão impactados. Os madeireiros, por exemplo, seguem alarmados: foi contemplada entre as isenções a categoria "Madeira tropical, nesoi [não especificado ou incluído em outra parte], serrada ou lascada longitudinalmente, cortada em fatias ou desenroladas, mesmo aplainada, lixada ou unida pelas extremidades, de espessura superior a 6 mm".
Contudo, o item nada tem a ver com a produção das indústrias do Paraná, uma das principais exportadoras de madeira aos EUA.
Nesse sentido, a Abimci (Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente) informa que ainda está analisando o decreto para identificar quais dos segmentos que representa estão incluídos nas possíveis exceções à tarifa de 50% e quais efetivamente serão impactados pela medida.
"O documento é extenso e exige análises técnicas aprofundadas. Neste momento, nossas equipes técnicas e jurídicas, tanto no Brasil quanto no exterior, estão examinando minuciosamente os produtos específicos mencionados na Ordem Executiva, as condições para eventuais isenções, os possíveis desdobramentos em relação à investigação da Seção 232", pontua a entidade.
Porém, o setor já vinha dando férias coletivas e projetando demissões caso o tarifaço vigorasse.


