15 anos após criação da lei, museu do Rio eterniza Maria da Penha 

Nesta terça-feira (26), mulher que deu nome à luta contra a violência doméstica dá depoimento para a posteridade ao Museu da Imagem e do Som

Maria da Penha, que deu nome à lei que coíbe a violência doméstica, será ouvida pelo Museu da Imagem e do Som do RJ
Maria da Penha, que deu nome à lei que coíbe a violência doméstica, será ouvida pelo Museu da Imagem e do Som do RJ Marcelo Camargo - 17.ago.2016/Agência Brasil

Lucas Janoneda CNN

No Rio de Janeiro

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Pela primeira vez na história, o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro colherá o depoimento para a posteridade de uma pessoa fora do estado fluminense.  Trata-se Maria da Penha Maia Fernandes, mulher que deu nome à Lei 11.340/2006 – conhecida como Lei Maria da Penha –, que coíbe a violência doméstica.

Responsável pela criação da norma que completou 15 anos em agosto, a militante será ouvida nesta terça-feira (26). Maria da Penha será entrevistada em Fortaleza, no Ceará, onde mora e lidera um instituto também com seu nome que auxilia vítimas de violência doméstica.

Na época com 38 anos, a farmacêutica bioquímica sofreu uma dupla tentativa de feminicídio e sobreviveu para contar e lutar pela garantia dos direitos das mulheres que sofrem com a violência no Brasil. Como consequência das agressões, ela é paraplégica. Maria da Penha é reconhecida nacional e internacionalmente e foi indicada ao prêmio Nobel da Paz em 2017.

Além de Maria da Penha, o Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro conta com um acervo de mais de mil depoimentos de figuras notáveis como Raquel de Queiroz, Clarice Lispector, Jorge Amado, Nélida Piñon, Tarsila do Amaral, Dona Ivone Lara, Elza Soares, Fernanda Montenegro e Marieta Severo. A iniciativa teve início em 1966.

Violência contra a mulher

Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP-RJ) mostram que cerca de 98 mil mulheres foram vítimas de violência doméstica e familiar no Eestado do Rio de Janeiro no ano passado. As informações fazem parte do Dossiê Mulher 2021, lançado na última semana.

O levantamento ainda traz 78 casos de tentativa de homicídio, sendo que pelo menos foram presenciados pelos filhos. Entre todos os casos, apenas nove mulheres tinham medidas protetivas contra os companheiros.

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