Governo paraguaio confirma que Ronaldinho Gaúcho portava passaporte adulterado


Da CNN Brasil, em São Paulo
05 de março de 2020 às 10:18 | Atualizado 05 de março de 2020 às 21:58
Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Roberto de Assis, são detidos por agentes da Guar

Ronaldinho Gaúcho e seu irmão, Roberto de Assis, são detidos por agentes da Guarda Nacional do Paraguai sob acusação de portarem passaportes falsos. A dupla foi abordada no hotel Yatch y Golf Club, em Lamaré, na Grande Assunção (04.mar.2020)

Crédito: Fiscalía Paraguay/ Reprodução

Autoridades paraguaias confirmaram na manhã desta quinta-feira (5) que o ex-jogador Ronaldinho Gaúcho, embaixador do turismo do governo Bolsonaro, e o irmão dele, o também ex-atleta Roberto de Assis, portavam passaportes adulterados em viagem àquele país. Eles foram detidos na noite de quarta-feira (4) em Lambaré, cidade da região metropolitana de Assunção, capital do Paraguai.

A perícia paraguaia apurou que os passaportes foram solicitados por pessoas que vivem no Paraguai, há cerca de um mês e meio.

"Ronaldinho e seu irmão entraram na quarta-feira (4) no Paraguai, às 9h05, em um voo comercial, por meio do Aeroporto Internacional Silvio Petirossi (que atende Assunção). Nesse ingresso, usaram um passaporte paraguaio autêntico, mas com conteúdo falso", disse o agente fiscal e delegado de antissequestro, Frederico Delfino, em entrevista na sede central da Procuradoria-Geral do estado.

Tanto Ronaldinho quanto seu Assis compareceram nesta quinta à unidade especializada contra o crime organizado da Procuradoria.

Delfino afirmou que para obter a nacionalidade paraguaia, entre outros requisitos, uma pessoa deve viver um tempo determinado no país. "Já identificamos que os números dos passaportes pertencem a outras pessoas”, completou.

Segundo o Ministério Público paraguaio, Ronaldinho e o irmão foram detidos em um quarto do hotel Yatch y Golf Club, onde os dois estão hospedados para uma série de compromissos comerciais no país.

No local, foram apreendidos diversos documentos, incluindo passaportes paraguaios com os nomes dos suspeitos. Os dois brasileiros passaram a noite em custódia nos próprios quartos. 

A Procuradoria seguirá com as investigações do caso, juntamente com um grupo de procuradores designados. O advogado de Ronaldinho Gaúcho, Sérgio Queiroz, informou à CNN Brasil que os depoimentos já foram colhidos. Segundo ele, "ficou demonstrada a inexistência de culpa", e logo o processo estará finalizado.

Acompanhamento do Itamaraty

O Consulado do Brasil no Paraguai, informou nesta quinta-feira (5) que acompanha a situação de Ronaldinho e de Assis.

“Em atendimento ao direito à privacidade dos envolvidos, bem como em observância ao disposto na Lei de Acesso à Informação e no decreto 7.724/2012, o Itamaraty não pode fornecer informações adicionais sobre o assunto”, informou o Ministério.

Nos casos em que brasileiros ficam presos, o único apoio prestado pelo consulado é garantir que os direitos fundamentais do detido sejam resguardados.

Ronaldinho e Assis tiveram seus passaportes brasileiros apreendidos em novembro de 2018, após condenação pelo não pagamento de uma multa ambiental determinda pela Justiça do Rio Grande do Sul em 2015.

Na época da apreensão, foi determinado que eles pagassem cerca de R$ 8,5 milhões por construções consideradas ilegais na orla do Lago Guaíba, em Porto Alegre. Em setembro de 2019, após acordo com o Ministério Público gaúcho, a dupla teve os documentos recuperados.

(Com informações de André Spigariol, da CNN Brasil em Brasília)