O Grande Debate: Prioli e Abduch discutem atrito entre governo federal e estados


Da CNN em São Paulo
23 de março de 2020 às 11:00 | Atualizado 23 de março de 2020 às 11:02

 As divergências entre o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e governadores nas tomadas de decisão no enfrentamento contra o novo coronavírus têm sido alvo de destaque em meio às notícias sobre a pandemia. O presidente criticou as medidas tomadas por algumas autoridades estaduais e classificou as ações como atitudes drásticas. Para o chefe do Executivo, alguns deles visam as eleições de 2022.
 
Nas trocas de farpas entre os mandatários, o presidente alfinetou e chamou governos estaduais de "irresponsáveis". “Doria é um lunático. Ele nega que usou o meu nome para se eleger governador e está se aproveitando para crescer politicamente”, afirmou o mandatário referindo-se ao governador de São Paulo. João Doria (PSDB-SP) reagiu: "Gostaria de um presidente que liderasse o país". Por sua vez, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel afirmou que "não há diálogo com o governo federal". 

No Grande Debate desta segunda-feira (23), Gabriela Prioli e Tomé Abduch – que substitui Caio Coppolla, em afastamento por recomendação médica – discutem sobre a rivalidade entre governos em meio à pandemia do novo coronavírus. 

Em suas considerações finais, Prioli avaliou as medidas tomadas pelo Governo Federal e como isso pode impactar as ações políticas e econômicas no futuro. "O que eu sugiro aqui, Gottino, é que a gente preste atenção nos próximos dias e meses, principalmente depois que essa questão do coronavírus passar, que a gente estiver aí, numa situação mais sob controle, que a gente observe o discurso do Governo Federal. O que eu imagino aqui é que a gente vai ter, depois desse enfrentamento do coronavírus e com certeza com a repercussão econômica que isso vai gerar, um descontentamento da população, porque, como eu disse, a gente tem previsões muito pessimistas em relação à economia em 2020. E a minha ideia é que o governo federal vai insistir na retórica de que esse problema econômico foi gerado não pela pandemia, mas pela atitude dos governadores e aí vai usar esse discurso que construiu agora para tentar descredibilizar os seus potenciais adversários na eleição de 2022." 

E concluiu: "O que eu percebo, é claro, que a próxima eleição está presente e não é só porque os governadores do Rio e de São Paulo trouxeram ela para o debate. O próprio presidente da república insiste em se fortalecer para as eleições de 2022, mantendo a sua base eleitoral na grande maioria das ações que toma e o tipo de retórica que adota." 

Já Abduch não vê, por parte de Bolsonaro, nenhuma preocupação com a corrida eleitoral de 2022 e sim, com a população em meio à pandemia. "Olha, eu não vejo nenhum motivo do Governo Federal, nenhuma postura deles preocupados, neste momento, com as próximas eleições. O que eu vejo é que há sim uma preocupação com as pessoas e com a economia, e essa preocupação não parece ser a mesma acontecendo por alguns governadores, deixo claro, alguns governadores. O que eu peço é que haja uma união tanto dos governadores quanto da esfera federal, que essa reunião de hoje seja de esclarecimento, de posturas comuns de alinhamento entre todos, pensando no povo brasileiro e também pensando na economia depois. Nós não podemos deixar a nossa economia quebrar no Brasil, isso vai ser uma tragédia"

E finalizou: "Então especialistas, médicos, infectologistas deem as suas colocações com propriedade para que a gente possa tomar a decisão, se a gente para o país inteiro, ou se paramos parte do país e como nós vamos fazer para passar por tudo isso já utilizando o respectivo conhecimento do que aconteceu em outros países. E vamos torcer para que esse novo remédio, na verdade o remédio já existente, possa fazer a diferença para que nós possamos curar as eventuais pessoas que estejam doentes. Vamos nos preocupar com a nossa população, é isso que a gente espera de vocês políticos que estão aí para pensar em nós e não nas próximas eleições".