Hospital de campanha em SP terá drive-thru de exame e desinfecção com névoa seca


Pedro Duran Da CNN, em São Paulo
25 de março de 2020 às 23:46 | Atualizado 26 de março de 2020 às 00:05
 

Com seis mortes suspeitas pelo novo coronavírus, a cidade de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, corre para entregar um hospital de campanha para atender pacientes com COVID-19.

A estrutura está prevista para funcionar a partir de sexta-feira (27), com 70 leitos, sendo 10 deles com estrutura de UTI. Ao todo, 100 profissionais foram contratados emergencialmente e serão treinados nesta quinta (26).

Com 1,4 milhão de habitantes, a segunda maior cidade do estado tem 12 casos confirmados da doença, 817 suspeitas e seis mortes sendo investigadas. Para evitar a propagação do vírus, o hospital contará com uma máquina de desinfecção por névoa seca.

A máquina produz uma fumaça, que é capaz de higienizar o local. Um produto de limpeza é quebrado em nanopartículas e sai espalhado por dois tubos até preencher todo o ambiente, matando vírus e bactérias. 

É uma tecnologia de limpeza que começou a ser usada há cerca de quatro anos em fábricas de suco de laranja, e que se provou eficaz contra o coronavírus. Durante a crise da atual pandemia, foi utilizada na Espanha, em prédios como o que abriga o Ministério da Fazenda.

Drive-thru

Junto com o atendimento aos pacientes, a prefeitura de Guarulhos providenciou um sistema de drive-thru anexo ao hospital de campanha.

A estrutura atenderá seis carros simultaneamente, fazendo avaliação clínica e medição de temperatura por laser para identificar possíveis casos de COVID-19. Caso os pacientes apresentem alteração de temperatura e outros sintomas, a pessoa é encaminhada à triagem médica.

O prefeito de Guarulhos, Guti Costa (PSB), disse que terá de cancelar contratos, como de estagiários na área da educação, para pagar as contas do hospital temporário --que custará R$ 3,8 milhões por mês aos cofres da cidade.

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Na cidade de São Paulo, a prefeitura também providencia hospitais de campanha para receber pacientes com coronavírus. O Estádio do Pacaembu e o complexo do Anhembi estão sendo adaptados para receber pacientes que estejam com COVID-19.

Pelo Brasil, outras iniciativas estão sendo adotadas no mesmo sentido. O principal objetivo é ampliar a capacidade de atendimento e desafogar o Sistema Único de Saúde (SUS). Outra vantagem apontada ao encaminhar pacientes para estruturas como essa é a de evitar que pacientes com outras doenças nos hospitais públicos sejam contaminados com o novo coronavírus.