Golpes sobre 'coronavoucher' de R$ 600 preocupam governo, diz Onyx

Segundo ministro da Cidadania, sites e números falsos que prometem cadastrar beneficiários representam ameaça à privacidade dos dados e ao pagamento do auxílio

Guilherme Venaglia Da CNN, em São Paulo
30 de março de 2020 às 20:44
O ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni
Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

O governo federal acendeu um alerta neste final de semana após identificar uma profusão de golpes nas redes sociais com plataformas falsas para o cadastramento de beneficiários do "coronavoucher", como foi apelidado o auxílio emergencial de R$ 600.

Segundo o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM), foram identificados sites e números de celular que prometiam cadastrar interessados para receber o valor que será pago pelo governo. Onyx vê risco para a privacidade dos dados e também para o próprio sistema que será lançado para o real pagamento do benefício.

"Denunciamos ao ministro [da Justiça e Segurança Pública] Sergio Moro e à Polícia Federal a criação de sites e números para obter os dados das pessoas. O objetivo disso é, depois, fraudar o sistema. Por favor, tenham um pouco de calma, não deem seus dados para qualquer pessoa ou qualquer site que diga que por lá ele vai receber o benefício", disse.

Durante a entrevista coletiva, o ministro fez referência à votação que ocorria no Senado e acabou por aprovar a criação do auxílio. Segundo Onyx, tão logo a tramtiação fosse concluída, o presidente Jair Bolsonaro sancionaria a lei, permitindo que o governo pudesse estruturar o pagamento.

Em virtude dessas pendências, o ministro pediu que a população não procure os bancos oficiais neste momento, porque o sistema ainda não está acionado e é importante evitar a aglomeração e idas desnecessárias às agências.

O ministro afirmou que o primeiro critério para a definição a quem terá o direito aos R$ 600 será o chamado Cadastro Único, que reúne os beneficiários de todos os 25 programas de assistência social do governo federal. Quem não está e se encaixa nos critérios da lei aprovada pelo Congresso terá que inserir os dados em uma plataforma aberta com esse fim.

Falando sobre como será o pagamento do coronavoucher, Onyx Lorenzoni reforçou que serão utilizados os bancos públicos federais, Banco do Brasil, Caixa, BNB e Basa. Ele também defendeu o uso das lotéricas e agências dos Correios para formar "a maior rede possível para o dinheiro chegar com agilidade ao cidadão".

Lotéricas

As lotéricas foram o tema da fala de outro ministro presente à reunião. O advogado-geral da União, André Mendonça, afirmou que o governo vai seguir recorrendo contra uma decisão da Justiça do Rio de Janeiro que impediu o funcionamento das unidades e das igrejas.

Na opinião de Mendonça, "as lotéricas são imprescindíveis para a população de baixa renda, que usa elas para pagar suas contas de água, de luz e receber seu Bolsa Família". O chefe da AGU também afirmou que o governo manterá a posição a favor da abertura dos templos religiosos, desde que sem aglomerações.

Outro caso que terá o envolvimento do advogado-geral será a determinação para o repasse dos cerca de R$ 2 bilhões do Fundo Eleitoral para o combate ao novo coronavírus. Na visão de André Mendonça, a decisão sobre uma mudança na destinação do dinheiro deve ser tomada pelo Congresso Nacional.