Isolamento em SP segue abaixo da meta e governo vê ameaça para sistema de saúde

Guilherme Venaglia Da CNN, em São Paulo
12 de abril de 2020 às 15:26
Transeunte usa máscara protetora em terminal de ônibus em São Paulo
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

O governo de São Paulo informou que, de acordo com um sistema de monitoramento adotado no estado, o isolamento social segue consideravelmente abaixo do que é considerado ideal para controlar a disseminação do novo coronavírus.

De acordo com o Palácio dos Bandeirantes, o percentual de respeito ao isolamento neste sábado (11) foi de 55%, levemente abaixo dos 57% registrados na sexta-feira, feriado nacional. A adesão considerada ideal pelo infectologista David Uip, que coordena o combate ao coronavírus em São Paulo, é de 70%.

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Em nota, o governo do estado afirma que "se a taxa continuar baixa, o número de leitos disponíveis no sistema de saúde não será suficiente para atender a população".

Na última quinta-feira (9), o governador João Doria (PSDB) afirmou que, se o isolamento não subir para ao menos 60%, serão adotadas medidas mais rígidas para conter a circulação. Entre essas medidas, estão cogitadas até multas e possibilidade de prisão para quem descumprir a quarentena adotada em São Paulo.

De acordo com os dados do Ministério da Saúde, São Paulo tem 8.419 casos confirmados e 560 mortes relacionadas à COVID-19. O estado é um dos seis nos quais a situação é considerada emergencial, pelo registro de casos estar 50% acima da média nacional.

Sistema

Batizado de SIMI, sigla para sistema de monitoramento inteligente, o projeto é um acordo do estado com as operadoras Vivo, Claro, Oi e TIM. O sistema analisa dados dos aparelhos celulares para indicar tendências de deslocamento e medir a adesão proporcional à quarentena por região.

Segundo o governo paulista, as informações são analisadas em conjunto, "sem desrespeitar a privacidade de cada usuário".