Quarentena não acaba no dia 11 de forma generalizada em SP, diz secretária

Segundo Patricia Ellen, para que a flexibilização seja bem-sucedida é preciso verificar como a pandemia se comporta na região, a capacidade de leitos e de aplic

Da CNN, em São Paulo
23 de abril de 2020 às 08:42 | Atualizado 23 de abril de 2020 às 08:58

A secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Patricia Ellen, falou com a CNN, na manhã desta quinta-feira (23), sobre a flexibilização das medidas de isolamento no estado em meio à pandemia.

Ellen pediu cautela e destacou a importância de a população compreender que nada muda, radicalmente, com relação às medidas de restrição contra o novo coronavírus, impostas no estado até o dia 11 de maio, quando começa uma reabertura dos estabelecimentos. “Precisamos estar preparados. Se mudarmos a curva [de contágio] ou se a pandemia se acelerar, a flexibilização muda”, afirmou ela.

Com relação à reabertura de cinemas, museus e teatros, a secretária disse que o governo trabalha em um planejamento gradual, avaliando os riscos à saúde e à economia. Segundo ela, para que a flexibilização seja bem-sucedida é preciso verificar como a pandemia se comporta na região, a capacidade de leitos para atender pacientes com COVID-19 e de aplicação de testes.

Portanto, segundo ela, não há certeza de que esses locais serão abertos no dia 11, pois “ainda há protocolos sendo pensados”. “A economia criativa é o setor mais vulnerável”, disse. “É preciso determinar protocolos de distanciamento social.”

Bares e restaurantes

Sobre bares e restaurantes, Ellen disse que há estudos em andamento para determinar se eles podem reabrir ao público - sem ser apenas para delivery. “Se houver protocolos seguros e controle da doença no município em questão, poderão ser reabertos”, afirmou.

Dependendo do que apontarem esses estudos, o dia 11 pode ser alterado, informou Ellen. Para isso, “precisa ter todos os painéis de controle por município, com a classificação deles em zonas verdes, amarelas e verdes, quais estão em situação confortável de leitos de UTI, controlando a curva da pandemia, e com mecanismos de testagem e rastreamento de casos suspeitos e grupos de risco”.

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“Dia 11 não acaba a quarentena para todo mundo, de forma generalizada. Flexibilização não será aleatória, não colocará vidas em jogo”, anunciou a secretária. “Terá o dia e a forma de cada um. Precisamos estar preparados com as medidas de segurança corretas e validadas pela equipe técnica da saúde.”

Fiscalização

Com relação à fiscalização desses locais, a secretária disse que o trabalho é feito pelo governo estadual em colaboração com os prefeitos. “A implementação da fiscalização precisa ser feita diariamente”, declarou, acrescentando que em São Paulo são os estabelecimentos que serão fiscalizados, e não as pessoas, como acontece em alguns países.

A secretária também afirmou que há um trabalho em conjunto com três consultorias para mapear as práticas internacionais e ver o que pode ser aplicado no estado de São Paulo. “Precisamos entender quais delas se aplicam à nossa realidade. Não é uma aplicação direta, precisa haver uma adaptação.”

A secretária também comentou sobre a relação com o Ministério da Saúde na gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta: “Sempre foi excelente”.

Estrutura econômica em funcionamento

Na quarta-feira (22), o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), afirmou que 74% de toda a estrutura econômica do estado está funcionando. Ele detalhou o plano de reabertura de estabelecimentos a partir do dia 11 de maio, após o fim oficial da quarentena decretada para prevenir a proliferação do novo coronavírus.  

Conformou antecipou a CNN, o retorno das atividades será feito de forma heterogênea, com base no cenário e nos índices locais de cada região durante a pandemia da COVID-19. Doria ressaltou, entretanto, que se trata do início da flexibilização da quarentena.

Para que a reabertura gradual da economia ocorra, os municípios serão segmentados por níveis de risco, com o objetivo de facilitar o monitoramento da pandemia na região. Além disso, será levado em conta o número de leitos disponíveis nos municípios, assim como a implantação de protocolos gerais e específicos para cada ambiente de trabalho.