Fechamento do Sine impediu 200 mil pedidos de seguro-desemprego, estima governo

Equipe econômica vê represamento de solicitações em pandemia

Anna Russi Da CNN, em Brasília
28 de abril de 2020 às 13:33 | Atualizado 28 de abril de 2020 às 15:24
Segundo governo, com agências abertas, solicitações de seguro-desemprego seria 32% maior
Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

A equipe econômica do governo estima que o fechamento das unidades Sine (Sistema Nacional de Emprego), de administração municipal e estadual, provocou o represamento de 200 mil pedidos de seguro-desemprego. Levando em conta essa estimativa, o número de brasileiros que pediram o seguro-desemprego em março seria 32% superior às solicitações do mesmo mês em 2019. 

As informações foram divulgadas nesta terça-feira (28) pelo Ministério da Economia em coletiva de imprensa. De acordo com a pasta, a estimativa para os requerimentos representa uma projeção para pessoas que perderam o emprego e não conseguiram pedir o benefício presencialmente ou pela internet, portanto ainda nem deram entrada na solicitação. 

Antes da crise, as agências SINE estaduais e municipais atendiam a mais de 90% dos requerimentos. Com o isolamento social e o fechamento das agências 90,2% dos pedidos foram feitos pela internet. Em 2019, as solicitações virtuais representaram apenas 1,6% do total. 

O número de registrado oficialmente em março foi de 536.845 requerimentos, mas o governo reconhece que essa quantia poderia chegar a 736.945. Para o secretário-executivo do Ministério da Economia, Marcelo Guaranys, até a primeira quinzena de abril, os números também mostram uma estabilidade no mercado de trabalho. “Nesse primeiro instante de crise, já passado quase um mês, não verificamos nenhuma explosão (do seguro-desemprego)", avaliou. 

O secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno  Bianco, afirmou que as medidas de emergenciais de manutenção do emprego — como as que permitiram a redução de jornada de trabalho e de salário ou a suspensão de contratos — ajudaram a preservar cerca de quatro milhões de postos de trabalho. 

Os números apresentados nesta terça-feira são os primeiros dados oficiais referentes ao mercado de trabalho formal este ano, uma vez que o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) não é divulgado desde dezembro do ano passado.