Grande Belém tem 5 vezes mais mortes de policiais por COVID-19 do que São Paulo

Associação aponta pelo menos 15 mortes na região paraense; já o estado paulista confirmou três vítimas por coronavírus

José Brito da CNN em São Paulo
28 de abril de 2020 às 16:23 | Atualizado 28 de abril de 2020 às 22:36
Policial utiliza e distribui máscaras de proteção no Pará
Foto: Marcelo Seabra/AG. Pará

A Polícia Militar do estado do Pará tem pelo menos 15 mortes suspeitas de COVID-19, na Região Metropolitana de Belém. A primeira foi no dia 18 de março e o restante, nos últimos três dias. Essa conta é feita pela a Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar do Pará (ACSPMBMPA). Para comparativo, entre os mais de 80 mil policiais militares de todo o estado de São Paulo, há três mortes confirmadas para a doença.

A CNN teve acesso a um documento interno da Corporação apresentado, na noite de segunda-feira (27), que contabiliza 1.007 policiais militares cumprindo afastamento preventivo, 97 confirmados para o novo coronavírus, sendo nenhum recuperado e ainda 705 casos considerados suspeitos para COVID-19, apenas na capital paraense e mais seis cidades vizinhas. “Dois PMs morreram no meu Batalhão, onde tem 30 afastados. Fizeram o teste em três deles e os três deram positivo”, revela a presidente da Associação, cabo Karla Cristina Mota de Souza, que não foi testada.

Na tarde desta terça-feira (28), a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) informou que há 2.319 casos confirmados da doença e mais 1.118 casos recuperados em todo o estado. Até o momento, são 132 mortes. A região Norte é responsável por 12,1% dos casos no país.

Desde segunda-feira (20), a policial está em casa com sintomas de febre, dor de cabeça e fraqueza no corpo. Ela passou por uma triagem no hospital da Polícia Militar, na última sexta-feira (24), e agora segue em casa com a filha de 12 anos, que está com o mesmo prognóstico, e com o pai que se recupera de um câncer. “Ontem, eu fiquei mais de uma hora na fila do hospital para conseguir uma medicação tinha acabado. A gente só entra até a recepção e um único médico atende e ainda falaram que a medicação. Só fazem isso. Aí, o militar vai para casa e corre o risco de contaminar a família.”, diz Karla, que está se tratando com um xarope caseiro por não achar a medicação adequada nas farmácias da cidade.

De acordo com a Associação, no dia 23 de março, um ofício foi enviado cobrando uma posição sobre fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPI) a polícia militares e não houve resposta. “O Comando exige que a tropa vá para a rua para cumprir o seu dever, mas não dá estrutura necessária para trabalhar e nem quando ficamos doentes.”, diz a presidente.

“Hoje, vamos mandar mais um ofício dando um prazo de 48 horas para o Governo do Estado do Pará e para a Corporação se manifestarem sobre abrir o hospital da Polícia Militar para atendimento e fornecimento de medicação e para criarem uma estrutura de atendimento do militar.”, conta a presidente da ACSPMBMPA. Ela diz ainda que vai encaminhar o documento ao Ministério Público Militar para que sejam tomadas medidas a fim de evitar mais mortes de seus colegas.

A reportagem entrou em contato com a Secretaria de Estado da Segurança Pública e da Defesa Social do Pará (Segup), que se manifestou abaixo:

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) informa que aguarda a emissão de laudo da Secretaria de Saúde Pública (Sespa) para confirmação do número oficial de policiais militares falecidos e infectados pela COVID-19. A Segup informa, também, que 6 mil PMs atuam na Região Metropolitana de Belém e que estão sendo realizados atendimentos no Centro de Formação da Polícia Militar, tanto na aplicação dos testes rápidos como de vacinas e protocolos de atendimentos básicos para encaminhamentos a hospitais. A Unidade de Saúde Ambulatorial da PM também atua no primeiro atendimento e distribuição de remédios. A Segup ressalta que disponibilizou mais de 3.000 testes rápidos, 1.200 medicamentos para a corporação, além de distribuir 15 mil vacinas para Influenza conforme calendário e em postos exclusivos para servidores da segurança.