Poluição cai até 53% no Rio e 30% em São Paulo durante quarentena


Adriana Freitas, da CNN no Rio de Janeiro
27 de abril de 2020 às 23:32
Imagem do bairro de Santa Cecília, em São Paulo, mostra redução de poluição

Imagem do bairro de Santa Cecília, em São Paulo, mostra redução de poluição (23.abr.2020)

Foto: Tiago Queiroz/Estadão Conteúdo

Durante o período de quarentena, a poluição no ar teve uma redução de até 53% no Estado do Rio e 30% na Grande São Paulo. É o que mostra a pesquisa realizada pela meteorologista Ariane Frassoni do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) a partir da análise dos dados enviados pelo satélite da Nasa.

No dia 24 de março, o governador João Doria (PSDB) decretou o isolamento social como forma de evitar a propagação do vírus em São Paulo. E no dia 21 de março, as medidas decretadas por Wilson Witzel para isolar Rio entraram em vigor no Rio de Janeiro.

De acordo com a pesquisadora, na semana passada – de 15 a 21 de abril – a redução do gás poluente no Rio alcançou o patamar de 53% em relação à semana anterior e ao início da quarentena. Comparando o fim de março com a segunda semana de abril (dia 08/04 a 14/04), a poluição teve queda em 30% no Estado São Paulo. Já no período de 15 a 21 de abril, a concentração de impurezas no ar voltou a aumentar em São Paulo.

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Os dados do satélite da Nasa, que serviram para a pesquisa, mostram a concentração de dióxido de nitrogênio - gerado pela queima de combustível nos carros, indústrias e veículos pesados (óleo diesel) – em toda a América do Sul. Segundo Ariane, as regiões metropolitanas de São Paulo e do Rio são as áreas que, a longo do tempo, mais têm sujado a atmosfera com o gás tóxico dentro da parte sul do continente americano. “Levando em consideração o período da quarentena, Minas Gerais e o Sul do país (principalmente as regiões metropolitanas de Curitiba e de Porto Alegre) também tiveram reduções nas emissões de dióxido de nitrogênio, semelhantes as identificadas no estado de São Paulo”, ressaltou a meteorologista.

O satélite da Nasa mostra a concentração de dióxido de nitrogênio (NO2) e não de outros componentes porque este um gás causa problemas respiratórios na população. Combinado com compostos orgânicos voláteis, o dióxido de nitrogênio se transforma em ozônio que exala toxidade na atmosférica. Por sua vez, na estratosfera, o ozônio forma a camada de ozônio - que protege o planeta das radiações ultravioletas prejudiciais aos seres vivos.

 A comunidade cientifica chama atenção que, ao esvaziar ruas e indústrias, o coronavírus a princípio causou um impacto positivo na luta contra as mudanças climáticas em todo o mundo. A emissão de poluentes despencou conforme os países fecham fábricas e lojas e tiram meios de transporte das ruas. Na China, “berço” do coronavírus, a liberação de dióxido de nitrogênio (NO2), um gás poluente, despencou 25% entre janeiro e fevereiro, quando mais de 40 milhões de pessoas já cumpriam quarentena. A produção industrial foi paralisada em muitas regiões do país. Mas ainda se tem muita apreensão com o que acontecerá após o fim do isolamento, já que a queda de concentração de poluentes é considerada meramente circunstancial.

Dados INPE

Os cálculos são baseados em médias de NO2 semanais, utilizando os dados do satélite da Nasa.

 

São Paulo:

Data de referência: 18 a 24/03

01 a 08/04 - queda de 22%

08 a 14/04 - queda de 30%

15 a 21/04 - queda de 15% -> OBS: Houve aumento de 21% em relação à semana anterior

 

MASP:

Data de referência: 18 a 24/03

01 a 08/04 - queda de 4%

08 a 14/04 - queda de 34%

15 a 21/04 - queda de 26% -> OBS: Houve aumento de 20% em relação à semana anterior

 

Rio de Janeiro:

Data de referência: 18 a 24/03

01 a 08/04 - queda de 23%

08 a 14/04 - aumento de 7%

15 a 21/04 - queda de 53% -> OBS: Houve queda de 56% em relação à semana anterior

 

América do Sul:

Data de referência: 18 a 24/03

01 a 08/04 - queda de 2%

08 a 14/04 - queda de 3%

15 a 21/04 - queda de 5%