SP pede 100 respiradores ao Ministério da Saúde; Uip fala em 'curva ascendente'

Com 89% dos leitos de UTI ocupados na cidade de São Paulo, governo estadual passará a usar leitos do interior para tratar pacientes da capital.

Jéssica Otoboni, da CNN, em São Paulo
30 de abril de 2020 às 12:47 | Atualizado 30 de abril de 2020 às 15:35
O diretor do Instituto Butantã, Dimas Covas; o secretário estadual de Saúde, José Henrique Germann; e o infectologista David Uip durante coletiva de imprensa sobre o coronavírus
Foto: Reprodução - 30.abr.2020/Governo de SP

O infectologista David Uip, coordenador do Centro de Contingência ao Coronavírus em São Paulo, disse que a equipe do governo paulista participou de uma reunião na manhã desta quinta-feira (30) com o ministro da Saúde, Nelson Teich, e solicitou 100 respiradores para atender os pacientes internados com o novo coronavírus.

Segundo Uip, foram abordados pontos como a manutenção do programa de saúde anterior, do isolamento social - medida defendida por Teich -, a dificuldade de comprar insumos, principalmente respiradores, e a importância do programa de testes, para diagnosticar tanto pessoas com a COVID-19 quanto as que já se recuperaram da doença.

“Entendemos que isso está extremamente alinhado com o que pensa o governo do estado”, disse o infectologista durante uma entrevista coletiva que não contou com a presença do governador João Doria (PSDB).

"O estado também demonstrou preocupação com a agilidade dos procedimentos, porque São Paulo está em uma curva ascendente, com novos pacientes e óbitos", declarou Uip, ressaltando a necessidade de aparelhos, insumos e repasse de fundos. "Para haver flexibilização, precisa de tudo isso."

Assista e leia também:
Uso de máscaras em transporte público será obrigatório em São Paulo
Doria tem que responder por vítimas da COVID-19 em SP, diz Bolsonaro
Muitas pessoas perderam o olfato com o novo coronavírus. Será que ele volta?

Diante dessa situação, o secretário de Saúde do estado de São Paulo, José Henrique Germann listou as demandas feitas pelo governo ao Ministério da Saúde: 100 respiradores para o Hospital das Clínicas, 1,6 mil kits de monitores, 4 milhões de testes rápidos para a população, 20 milhões de insumos para a coleta de exames, 2,6 milhões de medicamentos emergenciais, incluindo cloroquina, e equipamentos de proteção individual, como 4,2 milhões de máscaras N95.

Segundo Germann, 400 mil testes já foram enviados, mas para uso exclusivo dos profissionais de saúde. Ele declarou que o governo gastou R$ 480 milhões com ações para combater a COVID-19, que contaram com recursos também do Ministério da Saúde e do Tesouro do Estado. 

Uso de leitos do interior

Durante a coletiva, Germann atualizou os números da COVID-19 no estado. Até o momento, São Paulo tem 28.698 casos confirmados (um aumento de 10% em relação ao dia anterior) e 2.365 mortes (aumento de 6%). Há 1.744 pessoas internadas em UTI (unidade de terapia intensiva) e 2.138 em enfermarias. Em todo o país, são 78.168 casos e 5.466 mortes. 

A taxa de ocupação dos leitos de UTI no estado está em 69,3% e na capital, 89%. Com isso, Germann afirmou que o governo passará a usar os leitos do interior para tratar os pacientes infectados da capital. 

O secretário disse ainda que ontem foram entregues 200 leitos no hospital da campanha do Ibirapuera, que começará a funcionar a partir desta sexta-feira (1º).

Crise política

Questionado sobre as críticas feitas hoje pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) ao governo de São Paulo, David Uip disse que não iria comentar "porque não tenho o direito e nem gosto [de comentar]".

Nesta manhã, Bolsonaro voltou a atacar prefeitos e governadores pelas medidas de prevenção adotadas para combater o avanço da COVID-19. "Partindo do princípio que o número de óbitos é verdadeiro, porque o Diário da União da cidade de São Paulo tem colocado, na dúvida, a causa de qualquer morte como coronavírus para inflar o número e fazer uso político disso. É o governador 'gravatinha' de São Paulo fazendo politicagem em cima de mortes", afirmou ele.

Durante a coletiva, Germann leu uma nota oficial a partir da qual a Secretaria do Estado "lamenta a fala enviesada e irresponsável do presidente da República", que "ignora o fato de que o isolamento social em São Paulo é fator determinante para o achamento da curva e, consequentemente, diminuição do número de pacientes infectados e de doentes que precisam de UTI, principalmente, evitando um colapso do sistema público de saúde".