Funai devolve quadros de Sebastião Salgado e sugere venda para ajudar indígenas


Leonardo Lopes da CNN, em São Paulo
07 de maio de 2020 às 16:15 | Atualizado 07 de maio de 2020 às 16:17
Sebastião Salgado

Ação foi resposta às críticas do fotógrafo ao Governo Federal, que administra a Funai, por um possível "genocídio" dos índios desprotegidos contra a COVID-19

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil


A Fundação Nacional do Índio (Funai) retirou das paredes de sua sede, em Brasília, 15 obras do fotógrafo Sebastião Salgado e as devolveu ao artista. A Funai propôs a Salgado que venda as imagens e utilize o valor para beneficiar comunidades indígenas.

A atitude da Funai acontece três dias após uma entrevista do fotógrafo à CNN International. Nela, Salgado afirmou à âncora Christiane Amanpour que não há nenhuma ação do governo federal para proteger os índios na Amazônia Brasileira durante a pandemia de COVID-19. "Há o risco de ocorrer um genocídio", disse.

O fotógrafo também chamou o governo federal de "campeão de fake news", e cobrou urgência para que "os milhares de garimpeiros ilegais" da região amazônica sejam retirados antes antes que levem o novo coronavírus àqueles povos que não possuem anticorpos.

Na última semana, Sebastião Salgado e sua esposa, Lélia Wanick Salgado, lançaram uma campanha internacional que pede proteção aos povos indígenas durante a pandemia e cobra ações imediatas do presidente Bolsonaro. A campanha recolheu mais de 225 mil assinaturas em manifesto online, e teve apoio de famosos como Oprah Winfrey, Paul McCartney e Madonna.

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O acervo de Sebastião Salgado que foi removido é fruto do trabalho de 2017 realizado pelo fotógrafo em parceria com a Funai junto ao povo Korubo, do Vale do Javari, no Amazonas. De acordo com a Funai, os quadros estão avaliados em quase R$ 1 milhão.

"A Funai sugere que o dinheiro seja revertido para aquisição de gêneros alimentícios não perecíveis, itens de higiene pessoal, materiais de limpeza, ferramentas agrícolas e outros itens, e doados à Campanha Empresa Solidária, lançada pela Fundação diante dos desafios trazidos pelo novo coronavírus", afirmou a fundação em nota.