Debate 360: Alckmin defende isolamento e Terra diz que quarentena não é eficaz

Ex-governador de São Paulo e ex-ministro da Cidadania divergiram sobre medidas no combate à pandemia do coronavírus

Da CNN, em São Paulo
12 de maio de 2020 às 19:40 | Atualizado 12 de maio de 2020 às 20:09

O médico e ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin e o ex-ministro da Cidadania, também médico, deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), apresentaram divergências em relação às medidas de isolamento social no combate à pandemia de coronavírus, durante participação no Debate 360, na CNN, nesta terça-feira (12). Alckmin defende a necessidade do isolamento, enquanto Terra afirma que não há efetividade nesta medida. 

“O isolamento é necessário, é um vírus novo com altíssima transmissibilidade, que atingiu todos os continentes e não tem vacina. O que interessa é salvar a vida das pessoas, evitar um pico da doença e um colapso no sistema de saúde, como aconteceu na Itália”, disse Alckmin. 

Em contrapartida, o ex-ministro Osmar Terra afirma “que o contágio maior acontece dentro de casa” e não defende o método quarentena como solução para conter a propagação do vírus.

“Tenho uma discordância básica nessa situação, foi exatamente na quarentena que morreram mais de 11 mil pessoas, quarentena não mostrou efetividade em nenhum lugar do mundo, todos os países atingiram o pico como se não houvesse quarentena. O contágio hoje é maior dentro de casa do que fora de casa. Em Nova York o governador veio a público reconhecer que 85% das pessoas que foram parar em hospitais foram infectadas dentro de casa. O vírus está em todo lugar, não adianta trancar as pessoas em casa. Vimos que trancar pessoas não adiantava nada. Tem é que tomar medidas de proteção ao grupo de risco, neste caso, idosos, e quem não está no grupo de risco, usar máscara, distanciamento, lavar as mãos e seguir normalmente”. 

Alckmin rebateu ao comentário dizendo que “o vírus não pega o elevador e chega no apartamento de alguém sozinho” e, ressaltou novamente a importância de permanecer em casa.

“Óbvio que alguém contaminado em casa, pegou de alguém na rua. No Brasil tem muita pobreza, as pessoas vivem juntas, crianças e idosos. A criança sai, não sente os sintomas e transmite para os idosos. Temos que ter humildade, nós não conhecemos, temos que ter prudência. Está errada a OMS, estão errados todos os países europeus? Acho que não”.

Ações do governo 

Ambos participantes comentaram sobre ações do Ministério da Saúde e da presidência diante do enfrentamento do coronavírus no Brasil. Geraldo Alckmin discorda da falta de comunicação entre governo e o ministério na tomada de decisões, quanto Osmar Terra aposta que o atual ministro da Saúde, Nelson Teich, já conhece o método de trabalho do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). 

“Não conheço o ministro da Saúde, torço por ele, acho que a substituição do ministro Mandetta foi num momento ruim, pois quem entra demora a estar a par das coisas. É lamentável como o governo procede, como o presidente faz um decreto sem ouvir o ministério da saúde, o improviso, a maneira como as decisões são tomadas. Tínhamos que ter um time dando base cientifica para as decisões do governo, e há ainda um confronto com governadores. A política é para servir a população, passamos por um momento grave e temos que passar com um mínimo de mortos”, disse Alckmin. 

Para Osmar Terra, função do Ministério da Saúde é acalmar a população e, que “Mandetta falhou na condução da pandemia”.

“Foi um bom ministro, mas falhou na condução da pandemia, a primeira coisa é acalmar as pessoas. As funções do ministro e autoridade de saúde é acalmar, mas na segunda entrevista ele já disse que entraria em colapso, não está em colapso. É tanto medo e susto que as pessoas recebem, que os leitos estão vazios, quem tem problemas de outra ordem não vai no hospital. O ministro Teich entra com técnico, acalmando qualquer problema político, mostrando a ciência, e a ciência não é confinamento”, disse Osmar Terra. 

Sobre não ser informado sobre a inclusão de academias e barbearias como serviço essencial, Terra acrescentou: “Esse detalhe eu não sei, mas acho que o ministro sabe que a linha do presidente, que é baseada nessa visão de que a quarentena não funciona.  Ele sabe a ideia do presidente e foi escolhido em função de saber desta proposta, não sei por que se surpreender”.