O Grande Debate: Mandetta é alarmista ou realista ao fazer estimativa de mortes?

Gisele Soares e Thiago Anastácio também discutiram se é o momento de fazer lockdown ou iniciar o relaxamento da quarentena em São Paulo

Da CNN, em São Paulo
14 de maio de 2020 às 11:59

O Grande Debate da manhã desta quinta-feira (14) repercutiu a entrevista de Luiz Henrique Mandetta, ex-ministro da Saúde, à jornalistad Christiane Amanpour, da CNN Internacional, na qual ele declarou que o Brasil pode atingir o patamar de 1.000 mortes ao dia por Covid-19 e se tornar o país com maior número de casos da doença no mundo.

"Os números falam por si só. Nós temos subido e subido no número de mortos, e, provavelmente, nessa semana ou na próxima, teremos mil mortes por dia", disse Mandetta. "[O presidente Jair] Bolsonaro fez o que ele quis fazer, mas a história vai dizer quem estava errado e quem estava certo", acrescentou. Até quarta-feira (13), o Ministério da Saúde registrou 188.974 casos e 13.149 mortes pela Covid-19 no país.

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O mediador da edição matinal, Reinaldo Gottino, questionou os advogados Thiago Anastácio e Gisele Soares se "Mandetta foi alarmista ou realista?"

Para Gisele Soares, o ex-ministro fez alarde e declarações com intenções políticas. "Ele acaba dando a entender que, se estivesse à frente do ministério, os números não seriam tão altos, mas isso me parece injusto, porque já era previsível que iriam aumentar. É uma entrevista de cunho político, provavelmente já almejando talvez concorrer à Presidência de República", avaliou ela. "Se apoiar em números futuros de mortes é fazer um alarmismo em um cenário que já é muito triste".

Thiago Anastácio descartou as alternativas e defendeu que Mandetta está sendo "cientista ao fazer análise de fatos" com "números e dados da realidade". Ele ainda rebateu a crítica da colega às intenções do ex-ministro. "Então Mandetta é sempre político e Bolsonaro só quer o bem do país? Esse é o tipo de diálogo que faz com que joguemos gasolina em um incêndio político desnecessário", classificou. 

Lockdown ou relaxamento em SP?

O Debate Novo Dia colocou outra pauta para Gisele Soares e Thiago Anastácio. "Estamos caminhando mais para o lockdown ou para o relaxamento da quarentena no estado de São Paulo?", perguntou o mediador, Reinaldo Gottino.

À CNN, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), informou, na quarta-feira (13), que não há perspectiva de um bloqueio total no estado, mas que isso "não está fora do protocolo", que vem sendo avaliado todos os dias pelo comitê de saúde. No estado, a quarentena está mantida até 31 de maio.

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Entre outras considerações, Gisele Soares disse considerar que a proximidade da flexibilização da quarentena é uma certeza. "Só não sabemos exatamente quando o governador irá tomar essa decisão de apresentar o seu plano, mas estamos aguardando", avaliou ela, que citou o rodízio ampliado como argumento para a medida.

"Essa experiência do super-rodízio tem mostrado que os paulistanos estão nas ruas porque precisam. Aguardo, ansiosamente, que sejam anunciadas as medidas de flexibilização. Não poderemos ficar isolados até o advento da vacina", completou.

Entre seus argumentos, Thiago Anastácio afirmou que vê com preocupação o posicionamento da colega. "Estamos com o aumento da curva de contágio, não só em São Paulo, mas em todo o Brasil. A questão da flexibilização é em razão da economia enquanto vidas vão sendo ceifadas em maior número a cada dia", disse ele.

"Se está dando certo e estamos conseguindo segurar o sistema de saúde, por que vamos mudar?", questionou.