Bolsonaro afirma que vai alterar o protocolo de uso da cloroquina

A decisão contraria a posição do Ministro da Saúde Nelson Tech, que alertou para a falta de comprovação científica e os efeitos colaterais da cloroquina

Da CNN, em São Paulo
15 de maio de 2020 às 11:46 | Atualizado 15 de maio de 2020 às 12:15

O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), afirmou que mudará nesta sexta-feira (15) o protocolo de uso da cloroquina. A nova decisão permitiria o uso do medicamento desde os primeiros sintomas do novo coronavírus. 

Após a declaração de Bolsonaro, Teich pediu demissão.

A declaração foi dada após apoiadores questionarem o presidente sobre o assunto no Palácio da Alvorada. A decisão, no entanto, contraria a posição do Ministro da Saúde, Nelson Tech, que alertou para a falta de comprovação científica e os efeitos colaterais da cloroquina.

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Até o momento, a recomendação é que a hidroxicloroquina seja usada no tratamento de pacientes com Covid-19 em estado grave. A indicação está prevista em protocolo do Ministério da Saúde, publicado ainda na gestão do ex-ministro Luiz Henrique Mandetta.

Bolsonaro argumenta que "é direito do paciente" decidir sobre o seu tratamento. O medicamento ainda não tem eficácia comprovada contra o novo coronavírus e últimos estudos internacionais dizem que a droga é ineficaz contra a Covid-19. O Conselho Federal de Medicina publicou uma nota técnica permitindo a prescrição do medicamento mesmo em casos leves da doença, com ressalvas sobre os riscos.  

"O protocolo deve ser mudado hoje porque o Conselho Federal de Medicina diz que pode usar desde o começo", afirmou o presidente. "O médico na ponta da linha é escravo do protocolo. Se ele usa algo diferente do que está ali e o paciente tem alguma complicação, ele pode ser processado", explicou.

Com Estadão Conteúdo