Estados cobram Bolsonaro por sanção a pacote de ajuda

No documento, assinado pelos 27 secretários estaduais, eles dizem que “é urgente a liberação dos valores de auxílio aprovados pelo Poder Legislativo

Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
16 de maio de 2020 às 09:14 | Atualizado 16 de maio de 2020 às 10:51
Videoconferência de Bolsonaro com Governadores do Centro-Oeste (24.mar.2020)
Foto: Marcos Corrêa/PR

Os secretários estaduais de Fazenda enviaram uma carta ao Planalto cobrando o presidente Jair Bolsonaro pela sanção do pacote de auxílio aos Estados e municípios para combater os efeitos da crise do coronavírus.

No documento, assinado pelos 27 secretários estaduais, eles dizem que “é urgente a liberação dos valores de auxílio aprovados pelo Poder Legislativo ainda que sejam recursos insuficientes para o tamanho das intervenções públicas necessárias nessa crise”.

O pacote prevê um repasse de R$ 60 bilhões aos Estados e municípios para compensar a perda de arrecadação provocada pelo isolamento social, além de uma moratória para o pagamento da dívida. O projeto de lei está à disposição para a sanção do presidente desde o dia 8 de maio.

A expectativa inicial dos estados era que os recursos tivessem sido liberados nessa sexta-feira (15), mas um impasse sobre a exclusão de servidores públicos do congelamento de salários previsto até o fim de 2021 travou o projeto.

A pedido do ministro da Economia, Paulo Guedes, que exigiu essa contrapartida para liberar os recursos, Bolsonaro prometeu vetar o dispositivo, mas até agora não o fez. O presidente vem dando sinais dúbios sobre o assunto, já que a exclusão de grande número de servidores foi patrocinada pelo líder do governo na Câmara com a benção do Planalto.

“Não nos importa se o presidente veta ou não veta, porque não teremos dinheiro para conceder reajustes aos servidores. O que precisamos é da liberação rápida dos recursos”, disse Rafael Fontelez, presidente do  Comsefaz, conselho que reúne os secretários estaduais de Fazenda, em entrevista ao CNN Business.

“Se o dinheiro não chegar, os estados em pior situação fiscal terão dificuldades para pagar as contas no fim deste mês”.