Após operação da PM com 10 mortos no Alemão, Vidigal relata tiroteio nesta manhã

No Twitter, moradores relataram intensa troca de tiros no começo da manhã; na sexta-feira, operação no Morro do Alemão deixou dez mortos

Da CNN, em São Paulo
18 de maio de 2020 às 10:46 | Atualizado 18 de maio de 2020 às 11:04

A Polícia Militar do Rio de Janeiro realiza nesta segunda-feira (18) uma operação no Morro do Vidigal, na zona da cidade.

De acordo com informações do perfil da corporação no Twitter, até o momento uma pistola foi apreendida. Ainda não há informações sobre prisões e a PM ainda não divulgou os motivos da operação.

A Avenida Niemeyer, importante via ligação entre Leblon e São Conrado, chegou a ter o trânsito interrompido por cerca de trinta minutos, segundo os “Parceiros do Vidigal”, grupo que divulga notícias da comunidade.

Também no Twitter, vários usuários compartilharam vídeos em que registram os sons de intensa troca de tiros no começo da manhã, quando a polícia já estava no morro, e a movimentação de um veículo blindado

“Clima tá [sic] tenso no Vidigal, que Deus proteja os nossos!! Bom dia”, escreveu um usuário da rede social.

“Que Deus proteja as crianças, os idosos e os humildes trabalhadores do Vidigal. Em meio a pandemia do Coronavírus Moradores do Vidigal acordam com forte tiroteio em operação da PM na comunidade do Rio”, tuitou outro.

Operação no alemão

Uma operação das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro em favelas do complexo do Alemão, na zona norte do Rio, na sexta-feira (15), terminou com a morte de pelo menos dez pessoas. Um PM foi atingido por estilhaços e se feriu sem gravidade.

Segundo a Polícia Militar, agentes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), a tropa de elite da PM, em conjunto com policiais civis da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme), realizaram a operação para checar denúncias sobre o paradeiro de um criminoso apontado como líder do tráfico de drogas local e tentar localizar uma casa usada como esconderijo de fuzis na comunidade.

Cinco criminosos foram encontrados feridos e levados ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha (zona norte). Segundo a PM, eles morreram durante o atendimento. Um dos mortos era um criminoso foragido desde 2016 e considerado líder do tráfico nas comunidades Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na zona sul.

Durante a tarde, outros cinco corpos encontrados em vielas próximas ao tiroteio foram levados por moradores até a avenida Itaoca, na altura da rua Nova Brasília. Policiais militares da Unidade de Polícia Pacificadora Nova Brasília foram chamados e isolaram o local até a chegada de peritos da Polícia Civil. Esses corpos ainda não haviam sido identificados.

Repercussão internacional

Segundo o 'NYT', foram registradas 1.814 mortes cometidas por policiais em 2019 no estado do Rio de Janeiro
Foto: Reprodução - 18.mai.2020/The New York Times

O jornal norte-americano The New York Times publicou nesta segunda uma extensa reportagem sobre as operações policiais em favelas do Rio de Janeiro.

Com o título “‘Licença para matar’: por trás do ano recorde de homicídios cometidos pela polícia no Rio”, o diário afirma que policiais “disparam sem restrições, sob proteção de superiores e políticos, certos de que não haverá consequências para homicídios ilegais”.

“[O estado registrou] número recorde de homicídios cometidos pela polícia ano passado — 1.814 — um crescimento repentino, na casa das centenas, em um estado com longa história de brutalidade policial e onde lideranças políticas prometeram cavar “covas” contra o crime”, diz trecho da reportagem.

O jornal analisou 48 mortes causadas por policiais no Complexo do Chapadão. Em ao menos 24 casos, os mortos foram baleados nas costas pelo menos uma vez “o que imediatamente levanta questionamentos sobre a ameaça iminente que justificaria tais mortes”, diz o jornal.

Ainda de acordo com o NYT, em 20 destes casos, os mortos foram baleados ao menos três vezes. Em todos os casos revisados, há apenas dois policiais que relatam ferimentos – um foi acidente e o outro tropeçou e caiu.

Com informações do Estadão Conteúdo