Investigação sobre fraude deve ser feita sem 'espetáculo', dizem Zema e Azevêdo

Governadores da PB e MG avaliaram a operação da Polícia Federal que investiga fraude na compra de respiradores no Pará

Da CNN
10 de junho de 2020 às 09:58


Em entrevista à CNN, os governadores da Paraíba e Minas Gerais, João Azevêdo (Cidadania) e Romeu Zema (Novo) avaliaram a operação que investiga possível fraude na compra de respiradores que ajudariam no combate à Covid-19, no estado do Pará.

Os mandatários afirmaram que a transparência é essencial, e que a investigação precisa seguir sem a existência de "motivos políticos ou espetacularização em meio à pandemia". 
 

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"Vejo com muita preocupação e até tensão esse tipo de ação. Se há suspeita, há, sim, necessidade de averiguar. Mas me parece que, às vezes nesta questão, pode estar entrando algum jogo político, o que é muito perigoso. Estamos em um momento que precisa de união, solidariedade, ação  e temos pessoas morrendo".

"Se quem fez isso por algum motivo político, sem estar tendo embasamento, deveria haver, sim, uma punição para quem age dessa forma. Ainda não tive acesso à operação, mas não podemos estar vivendo esta 'pirotecnia' em momentos de crise.", explicou Zema. 

Azêvedo concordou com o governador mineiro e criticou a falta de coordenação geral, por parte do governo federal, na compra de respiradores nos estados.

"A transparência é fundamental, e qualquer processo de compra pública tem que ser limpo, para que possamos avaliar e a população acompanhar. Nós temos que compreender que, no momento em que explodiu a pandemia no Brasil, faltou, por parte do governo federal, uma coordenação geral que pudesse auxiliar os estados na compra de equipamentos".

"Evidente que, se houve algum problema, isso tem que ser apurado e sem nenhuma conatação política, para que haja esclarecimento. Se houve desvio, que ele seja punido. Entretanto, não podemos fazer espetacularização neste momento de pandemia", completou.

Operação no Pará

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta quarta-feira (10), a Operação Para Bellum, para apurar fraudes na compra de respiradores pulmonares pelo governo do Pará. O contrato se deu por dispensa de licitação, em razão do período de calamidade pública causado pela pandemia do novo coronavírus.

Os alvos das buscas são pessoas físicas e jurídicas suspeitas de participarem das fraudes. Dentre elas, estão servidores públicos estaduais e sócios da empresa investigada. A polícia está, neste momento, na sede do governo do Pará, residência do governador Helder Barbalho.