Líder de protesto contra Belo Monte, cacique Paulinho Paiakan morre de Covid-19

Paiakan, de 66 anos, morreu nesta quarta-feira (17) em um hospital em Redenção, no sul de Pará

Por Anthony Boadle, Reuters
17 de junho de 2020 às 17:33
Barragem da hidrelétrica de Belo Monte durante a fase de construção da usina (23/11/2013) 
Foto: Paulo Santos/Reuters

Os indígenas do Brasil perderam um de seus principais líderes para a Covid-19 nesta quarta-feira (17), com a morte de Paulinho Paiakan, um cacique kayapó que liderou protestos contra a hidrelétrica de Belo Monte nos anos 1980.

Ao lado do também cacique kayapó Raoni e do músico Sting, Paiakan ajudou a atrair atenção internacional para o custo ambiental e social de se construir a terceira maior represa do mundo no Rio Xingu, na floresta amazônica.

Paiakan, de 66 anos, morreu nesta quarta-feira em um hospital em Redenção, no sul de Pará, estado onde a epidemia de coronavírus se disseminou entre as comunidades indígenas e está matando diversos anciãos tribais.

Em 1998, Paiakan foi condenado a 6 anos de prisão pelo estupro de uma estudante de 18 anos em 1992 com a ajuda da esposa, que também foi condenada.

Belo Monte começou a gerar eletricidade em 2016, mas o projeto original foi reduzido devido à revolta global, e a usina produz cerca de um terço dos 11.200 megawatts planejados inicialmente.