Justiça manda isolar aeronaves usadas em operação em que João Pedro foi morto

Ministério Público Federal do Rio diz que fez pedido com o objetivo de preservar provas. Equipamento não poderá ser usado até realização de perícias

Bernardo Barbosa e Gabriela Coelho, da CNN em São Paulo e Brasília
19 de junho de 2020 às 19:38
João Pedro Mattos, de 14 anos, morto durante operação policial em São Gonçalo (RJ)
Foto: Reprodução/Twitter @_danblaz

A Justiça Federal do Rio de Janeiro ordenou que aeronaves usadas na operação policial na qual foi morto o estudante João Pedro Mattos Pinto, de 14 anos, não sejam utilizadas até a realização de perícias, informou nesta sexta-feira (19) o MPF-RJ (Ministério Público Federal no Rio de Janeiro).

O pedido para o isolamento das aeronaves foi feito pelo MPF-RJ com o objetivo de preservar provas. O equipamento deve ficar sob depósito da Superintendência da Polícia Federal no Rio de Janeiro, da Secretaria de Estado de Polícia Civil do Rio de Janeiro e da Polícia Militar do Rio de Janeiro.

Ainda segundo o MPF-RJ, a Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro recorreu ao Tribunal Regional Federal (TRF-2) para liberar o uso das aeronaves envolvidas na morte de João Pedro.

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A operação que vitimou João Pedro ocorreu no dia 18 de maio, na cidade de São Gonçalo, região metropolitana do Rio. O adolescente foi atingido dentro da casa de um tio por um tiro de fuzil 556 disparado durante operação conjunta das polícias Civil e Federal.

No dia 5, um laudo realizado pela Polícia Civil do Rio de Janeiro não conseguiu concluir se o projétil que matou João Pedro partiu da arma de algum dos três policiais civis sob suspeita de ter disparado.

No começo de junho, o MPF instaurou inquérito civil público para apurar a participação da Polícia Federal na morte do adolescente. O órgão busca responsabilizar o Estado brasileiro e agentes públicos pela morte de João Pedro.

Para o MPF, "as inúmeras mortes ocorridas nas incursões policiais em comunidades sugerem que a questão seja pensada, inclusive, à luz do racismo institucional e estrutural."

(Com informações do Estadão Conteúdo)