Secretário de Saúde do Rio teria deixado cargo por pressão e falta de autonomia

Ferry também recebeu pedidos de liberação de verbas para municípios sem documentos que justificassem o destino do valor para aquela cidade

Thayana Araújo Da CNN, no Rio
22 de junho de 2020 às 10:41 | Atualizado 22 de junho de 2020 às 13:28

Fontes muito próximas ao secretário de saúde do Rio de Janeiro Fernando Ferry, que pediu demissão hoje, confirmaram à CNN que ele deixou o cargo por não ter a chamada “carta branca”, como havia prometido o governador Wilson Witzel. Entre os argumentos para entregar o cargo, estão ainda a pressão e interferências políticas que Ferry vinha sofrendo para pagar contratos com “problemas”.

Segundo a CNN apurou, o ex-subsecretário de saúde Gabriel Neves tinha como procedimento elaborar, firmar e ele próprio pagar contratos. A prática é vetada justamente para que haja um controle interno dessas ações no governo.

Gabriel Neves foi preso em maio desde ano por suspeita de fraudes em contratos na área da saúde. Ferry teria sido pressionado a manter essa mesma prática. Foi também por não concordar com essa pressão, que ele pediu demissão.

Ferry também recebeu pedidos de liberação de verbas para municípios sem documentos que justificassem o destino do valor para aquela cidade.

O secretário, que permaneceu pouco mais de um mês à frente da saúde do RJ, vai entregar nesta segunda-feira, dia 22, a carta com pedido de exoneração. Ainda segundo a apuração da CNN, Ferry nem avisou ao governador que pediria demissão. 

Antes de receber o convite de Witzel, Ferry, que era clínico-geral e especialista em Aids, atuava como diretor-geral do Hospital Universitário Gaffrée e Guinle e foi professor associado de Clínica Médica e Aids da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio).

Fernando Ferry terá uma semana de folga e depois retornará para o laboratório de pesquisa do Hospital Universitário Gafreé Guinle, onde era diretor antes de ser nomeado secretário de saúde. 

Antes de pedir exoneração do cargo, Fernando Ferry Ferry entregou cerca de 66 contratos, a maioria deles firmados ainda pelo antigo secretário Edmar Santos durante a pandemia, à Comissão de Saúde da Alerj .

Todos documentos serão avaliados pela Comissão de Saúde e se constatadas irregularidades, os contratos serão apresentados ao Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado.