Covid-19 avança, e BH volta a fechar atividades não essenciais

Até esta quarta (25), a Prefeitura de Belo Horizonte havia confirmado 4.977 casos e 118 mortes por Covid-19. A taxa de ocupação dos leitos de UTI era de 86%

Caroline Louise, Anna Satie e Bernardo Barbosa, da CNN em Belo Horizonte e São Paulo
26 de junho de 2020 às 14:34 | Atualizado 26 de junho de 2020 às 16:27

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, disse nesta sexta-feira (26) que, a partir de segunda (29), só os serviços essenciais poderão funcionar na capital mineira, retomando restrições adotadas no início da pandemia de Covid-19. Segundo Kalil, a decisão foi tomada por causa do aumento no número de casos registrados na cidade. Belo Horizonte foi a primeira capital a iniciar a flexibilização do isolamento social, no dia 25 de maio.

"A partir de segunda-feira, nós só iremos manter os serviços essenciais, como no início da pandemia", disse o prefeito.

Kalil afirmou os dados sobre a Covid-19 "pioraram muito", o que obrigou a prefeitura a retomar ao que chamou de "fase zero" de bloqueios na capital mineira. "Estamos em guerra", afirmou.

"O bombardeio chegou na nossa cidade, e vamos tentar controlá-lo", disse.

Atualmente, a cidade está na segunda de quatro fases de reabertura gradual das atividades comerciais -- 92% das atividades já foram retomadas. O processo de reabertura foi definido pelo comitê de enfrentamento à Covid-19 da prefeitura da cidade.  

O secretário de saúde da cidade, Jackson Machado Pinto, disse não considerar errônea a decisão anterior de flexibilizar a quarentena.

"Quando abrimos o comércio no dia 25 [de maio], não erramos, os indicadores nos permitiam fazer isso", disse.

Segundo o secretário, a Opas (Organização Pan-Americana da Saúde), braço da OMS (Organização Mundial da Saúde) nas Américas, chegou a contatar a cidade para ver o que estava sendo feito, pois estava dando certo. "Recebemos o aval da Opas, o que nos deixa muito tranquilos em relação ao que foi feito". 

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Kalil também afirmou que vai sancionar o projeto de lei aprovado na quinta-feira (25) pela Câmara Municipal de Belo Horizonte que determina multa de R$ 100 para quem não utilizar máscara de proteção assim que o texto chegar à prefeitura. 

Na terça-feira (23), Kalil já havia dito que não prosseguiria com o processo de flexibilização da quarentena na capital mineira. No começo do mês, a cidade começou a segunda fase da reabertura, em que lojas de calçados, equipamentos esportivos, artigos para animais e outros comércios foram autorizados a retomar as atividades.

Até esta quinta (25), a Prefeitura de Belo Horizonte havia confirmado 4.997 casos e 118 mortes pela doença causada pelo novo coronavírus. O número de diagnósticos foi corrigido durante a entrevista coletiva desta sexta — o boletim divulgado anteriormente informava 20 episódios a menos. A taxa de ocupação dos leitos de UTI era de 86%.

Kalil voltou a fazer apelos à população para que as medidas de isolamento social sejam mantidas. "Não estamos de férias. Fiquem em casa. Se houver um churrasco num condomínio, chame a polícia, denuncie", cobrou.

Ele pediu desculpas "a todos os que respeitaram tanto o distanciamento, o isolamento". "Vamos respeitar a ciência, o que deu certo no mundo inteiro. Não há outro caminho", disse.