Mulher negra é agredida por policiais militares em SP; governo condena a ação

Advogado conta como a vítima está após ataque; Doria ordenou a compra de 2 mil câmeras que serão aclopadas aos corpos dos policiais e filmarãm as abordagens

Da CNN
13 de julho de 2020 às 14:56

 

Uma mulher negra de 51 anos foi vítima da violência policial em São Paulo no final do mês de maio. A mulher foi agredida em frente ao estabelecimento que trabalhava em Parelheiros, bairro localizado no extremo sul da capital paulista. 

As imagens registraram um policial militar pisando no pesço no pescoço da vítima, deixando-a sem reação. De acordo com testemunhas e com a própria vítima, a abordagem policial teria começado após um veículo estacionar na porta do estabelecimento com o som alto, incomodando vizinhos, que, em seguida, chamaram a polícia. 

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Ao chegar ao local, a polícia teria agredido o amigo da vítima - momento também registrado no vídeo. A mulher teria tentado interferir na abordagem e acabou agredida pelos policiais. Ainda de acordo com testemunhas, a vítima teria sido arrastada pelos agentes e desmaiado diversas vezes. A mulher foi levada ao hospital e após cirurgia na perna, levou 16 pontos no local.

Em entrevista à CNN, o advogado da vítima, Felipe Morandini, disse que o episódio gerou traumas físicos e psicológicos. "Ela sofreu uma fratura na tíbia durante essa ação e até hoje precisa fazer tratamentos para recuperação da cirurgia e com muito medo de retaliação. Tanto que a única entrevista que concedeu foi sem revelar sua identidade", explicou. 

"Quando ela viu que os policiais estavam agredidos um dos conhecidos dela, ela tentou conversar com os policiais, dizendo que não precisava daquilo. Segundo ela, este rapaz que estava quase desmaiado e naquele momento ela passou a ser agredida", relembrou.

Questionado se houve algum aspecto racial sendo mencionado pela vítima, o advogado explicou."A minha cliente não chegou a relatar questão racial, mas ao mesmo tempo, é uma situação que parece meio óbvia. Nós estamos tratando de mais um caso de violência policial visando a população negra em uma região periférica", completou.

Investigação


Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo informou que um inquérito policial militar foi instaurado, em 30 de maio, para apurar o caso. Os policiais envolvidos foram afastados e permanecerão fora das atividades operacionais até a conclusão das investigações.

A secretaria afirma que "não compactua com desvios de conduta de seus agentes e apura rigorosamente todas as denúncias". Desde o último dia 1º de julho, policiais militares de todos os níveis hierárquicos participam programa de treinamento, visando a reforçar os conhecimentos e técnicas da instituição.

O governador João Doria (PSDB) também condenou a ação dos policiais. Em post nas redes sociais, ele diz que as imagens causam repulta e são inaceitáveis.

Em entrevista coletiva, Doria disse que "a polícia tem que cumprir o seu papel, sim, de defender o cidadão e agir com firmeza na proteção pública aos seus cidadãos ao patrimônio público e privado, mas sem excessos". 

Em nota a Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo diz que "condena a conduta dos policiais e que ambos estão afastados até o fim das investigações". Doria ordenou a compra de 2 mil 'body cameras' - câmeras aclopadas nos corpos dos policiais e que filmam todas as abordagens.