Réveillon no RJ não deve ter público e Carnaval deve ocorrer após vacina

Maior festa popular do estado pode ser transferida para junho, segundo discussões travadas pelo governo fluminense

Camile Couto, da CNN, no Rio
14 de julho de 2020 às 11:57 | Atualizado 14 de julho de 2020 às 14:42
A Viradouro foi campeã do Carnaval do Rio de Janeiro neste ano
Foto: Agência Brasil (06.jan.2020)

Com as incertezas que envolvem a pandemia do novo coronavírus, o Réveillon e o Carnaval — dois maiores eventos da cidade do Rio de Janeiro —  podem não ocorrer na época e com o público previsto. Enquanto os festejos de ano novo não devem ter aglomeração na praia de Copacabana, a maior festa popular do estado pode ser transferida para junho, segundo discussões travadas pelo governo fluminense. 

Há uma discussão em pauta e um plano B e C, caso população não esteja vacinada até o fim do ano.O governo do estado está propondo um grupo de trabalho com órgãos municipais e estaduais relacionados as pastas da Cultura, Turismo, Saúde e Eventos para estudar as estratégias. Ainda não há uma decisão sobre os adiamentos dos eventos, pois será avaliada a progressão do cenário da pandemia. 

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Segundo o subsecretário de Eventos da Secretaria de Cultura do Estado, Rodrigo de Castro, o grupo de trabalho que irá tratar o futuro dos grandes eventos já vem de reunindo desde o final do mês passado para discutir a possibilidade do adiamento do Carnaval de 2021.

Segundo os órgãos competentes, não há como garantir a segurança da população nos blocos de rua. As escolas de samba já falam em fazer o desfile na Sapucaí só após a chegada de uma vacina contra a Covid-19. 

Além dos os órgãos municipais e estaduais ligados aos eventos e turismo, também participarão órgãos de saúde e de segurança. O Ministério Público também foi convidado. Esse mesmo grupo de trabalho foi criado em 2019 para tratar as questões relacionadas aos megablocos do Carnaval, mas este ano terá como foco o cenário pós-pandemia. 

Ano novo sem público

Sobre o Réveillon, os organizadores estão pensando em um tipo de evento híbrido, que tenha apenas parte do público previsto em relação aos anos anteriores, ou uma transmissão virtual.  

A Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e a RioTur informaram que ainda é cedo para falar sobre alterações no calendários dos eventos.  Por enquanto, quadras, ateliês e barracões estão abertos apenas para a confecção de mais de cem mil máscaras para o combate ao coronavírus.

O Carnaval de 2020 atraiu 31,2% a mais de turistas no Rio, segundo a Riotur. O órgão informou que a Cidade Maravilhosa recebeu 2,1 milhões de turistas – 77% brasileiros e 23% vindos do exterior. No carnaval de 2019, os turistas somaram 1,6 milhão.

Adiamento

Em entrevista à CNN, o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM), afirmou que irá propor um adiamento conjunto do Carnaval 2021 para São Paulo, Rio de Janeiro e outras grandes cidades que recebem a festa caso a pandemia do novo coronavírus ainda impacte a livre circulação de pessoas nas ruas. Ele sinalizou que uma possibilidade é realizar o Carnaval entre maio e junho do ano que vem para que a festa não seja cancelada por completo. 

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), disse que também começou as discussões para o adiamento da festa. "Eu falei com o prefeito ACM Neto, liguei assim que ele fez essa declaração. A cidade de São paulo também quer discutir conjuntamente o adiamento do Carnaval. Ele [prefeito de Salvador] precisa de 3 a 4 meses para preparar o carnaval, nós precisamos de mais por causa dos desfiles das escolas de samba. As escolas realizam vários ensaios que juntam 2 mil, 3 mil pessoas em seus barracões. Começamos a debater com as escolas de samba, e esperamos poder anunciar um adiamento em conjunto, seja Salvador, Rio de Janeiro, pensar com alguma cidade", afirmou em entrevista à rádio Band News