Nuvem de gafanhotos na Argentina volta a ameaçar Rio Grande do Sul

Como a previsão é de que o tempo esquente e ocorra vento do norte, há chance dos insetos voarem para a fronteira oeste gaúcha

Bruna Ostermann, da CNN, em Porto Alegre
17 de julho de 2020 às 18:43 | Atualizado 18 de julho de 2020 às 20:41

A nuvem de gafanhotos que ficou mais de três semanas na província de Corrientes, na Argentina, volta a ameaçar deslocamento em direção ao Brasil. 

Segundo o chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal da Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul, Ricardo Felicetti, é impossível saber ao certo o percurso.

No entanto, como a previsão é de que o tempo esquente e ocorra vento do norte, há chance dos insetos voarem para a fronteira oeste gaúcha.

"Nós estamos em atenção desde junho, mas agora, é um alerta mais acentuado", completa o engenheiro agrônomo.

De acordo com meteorologistas, o Rio Grande do Sul pode registrar máximas acima de 30 graus no fim de semana. Na Argentina, a vigilância também aumentou nas províncias de Entre Rios e Santa fé. 

Desde que a nuvem estacionou, técnicos do Serviço Nacional de Saúde e Qualidade Agroalimentar da Argentina (Senasa) tentam dissipar os insetos.

Os profissionais já realizaram diversas aplicações de inseticida e conseguiram reduzir o grupo, mas não foi o suficiente. 

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No momento, os gafanhotos estão em uma área próxima a um córrego, o que impede o combate com aviões agrícolas, porque os produtos podem contaminar o curso dágua.

"Isso torna a aplicação um pouco mais complexa, porque alguns locais são completamente inacessíveis seja de veículo, ou a cavalo", explica o engenheiro agrônomo Hector Medina, chefe do Programa Nacional de Gafanhotos do Senasa. 

Paraguai

Enquanto o alerta na fronteira com o Rio Grande do Sul aumenta, uma nuvem ainda maior se forma no Paraguai. Conforme informado pelas autoridades argentinas, que já monitoram a situação, o grupo de insetos pode chegar a 30 quilômetros quadrados. Ou seja, até três vezes maior do que a primeira.

De acordo com o Serviço de Qualidade e Saúde de Plantas Semeadas do Paraguai, os insetos estão em uma área do Parque Nacional Defensores del Chaco. 

Os técnicos paraguaios ainda não sabem exatamente qual vai ser a direção de deslocamento dos gafanhotos, mas destacam que eles podem ir para a região de Boquerón, ao oeste, ou Alto Paraguay, ao leste e fronteira com o Brasil. 

O Ministério da Agricultura não descarta o risco da nuvem alcançar os estado de Mato Grosso do Sul e Paraná. Na próxima semana, a pasta deve publicar uma normativa com protocolos de contenção da praga.