OAB-RJ quer adiar eutanásia de égua prenhe até nascimento de potro

Animal está com anemia infecciosa

Da CNN
22 de julho de 2020 às 14:13 | Atualizado 22 de julho de 2020 às 14:59
 

A Comissão de Proteção e Defesa dos Animais da OAB-RJ entrou com um pedido no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento para garantir a sobrevivência de uma égua prenhe, criada como um animal de estimação, pelo menos até o nascimento do potro. O animal é portador de anemia infecciosa equina e, de acordo com uma determinação federal, deveria ser sacrificado.

A égua foi resgatada magra e doente em março deste ano. O animal foi adotado pela família da economista Paula Chelles e vive num sítio, no município de Nova Friburgo, Região Serrana do Rio.  A doença foi descoberta durante a realização de exames de rotina, quando descobriram que ela estava prenhe. 


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Em entrevista à CNN na tarde desta quarta-feira (22), Reynaldo Soares Velloso, presidente da comissão argumentou entender que  não há diferença entre bebês humanos e não humanos. Por isso, ele defende que o potro não deve ser sacrificado com a égua. A data da eutanásia da égua, que ganhou o nome de Flor, já foi adiada duas vezes e agora aguarda o recurso do Ministério.

"A gente entende que uma sociedade que não respeita o meio ambiente e os animais que estão nele inseridos, é uma sociedade com o destino ao fracasso. Por quê também não respeitar o animal não-humano? O grande problema é que uma eutanásia, neste momento, mataria também o potro que está dentro dela. É preciso que se pense diferente, tudo está mudando, inclusive a sociedade. O que queremos, baseado no nascimento do bebê humano, é que se respeite a vida do bebê não humano", explicou. 

Reynaldo acredita que o filhote pode nascer sem a doença. "Vamos dar o direito de nascer e à vida. Eu tenho certeza de que o poder público vai atender o nosso pedido, pois é um direito legítimo", finalizou.

Paulo Brandão, virologista e veterinário da USP, explicou à CNN que a eutanásia da égua prenhe, do ponto de vista ambiental, é necessária. Segundo ele, a doença é crônica e altamente transmissível, inclusive para o feto.

"Esta resolução [que obriga a eutanásia] tem a ver com o Código Sanitário Animal Internacional. Essa também é uma doença crônica, altamente debilitante e transmissível, inclusive entre a mãe e o feto. Tudo isso leva a notificação de eutanásia obrigatória", avaliou. 

O veterinário afirma ainda que o vírus da anemia infecciosa é muito semelhante ao vírus HIV humano. Por isso, ele acontece em grandes quantidades no sangue e é bastante agressivo. 

"Este vírus é bem parecido com o vírus HIV humano, o que difere é o hospedeiro. Então ele acontece em quantidades muito grandes no sangue e ele se transmite entre a égua e o feto, além de transmitir para outros animais. Portanto, a chance de transmissão para o feto é realmente grande."

Questionado sobre a possibilidade de realização de algum exame que possa prever a doença no feto, o especialista ponderou. "Não é possível fazer o exame antes da gestação porque nós temos que colher amostra de sangue e não teria como separar o sangue da mãe e do feto. Também não é possível fazer um exame logo depois do nascimento devido a mistura de sangue genético dos dois", finalizou.

(Edição: Leonardo Lellis)