Apreensão de contrabando na fronteira com o Paraguai cresce 33% no 1º semestre

Organizações criminosas formadas por contrabandistas brasileiros e paraguaios utilizaram rotas clandestinas para driblar o controle de fronteira

Daniel Motta, da CNN, em São Paulo
24 de julho de 2020 às 10:56
Apreensão de contrabando
Foto: Divulgação/ Receita Federal

As apreensões de mercadorias contrabandeadas do Paraguai aumentaram 33% no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. As organizações criminosas formadas por contrabandistas brasileiros e paraguaios utilizaram rotas clandestinas para driblar o controle de fronteira, fechada desde o início da quarentena.

Entre janeiro e junho, foram apreendidos quase R$ 170 milhões em mercadorias contrabandeadas. No mesmo período do ano passado foram apreendidos 127,4 milhões. 

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Entre os principais produtos que os contrabandistas tentaram trazer para o Brasil por rios e estradas clandestinas estão cigarros, veículos e eletrônicos, segundo a Receita Federal e da Polícia Federal no Paraná. Houve registros até de produtos sendo transportados equipamentos manuseados com controle remoto.

Os cigarros constituem 49% das apreensões, num valor estimado em R$ 82,8 milhões. São o produto mais contrabandeado da fronteira, seguidos de eletrônicos e veículos, que correspondem respectivamente a 18,8% e 6,5% das apreensões, com valores que equivalem a R$ 31,7 milhões e R$ 11,2 milhões.

Na comparação com o primeiro semestre de 2019, a apreensão de cigarros vindos do Paraguai dobrou, enquanto as de produtos eletrônicos e veículos aumentaram 6% e 13%.

Os criminosos utilizam os rios da região e a áreas da fronteira seca para contrabandear as mercadorias.  Se delegado da Alfândega da Receita Federal em Foz do Iguaçu, Paulo Bini, os contrabandistas sempre utilizam rotas clandestinas para atravessar com os produtos para o lado brasileiro.

“O aumento nesse período independe de fronteira fechada ou aberta. Muito pouco passa pelas pontes, aduanas onde tem fiscalização. Vem justamente pela água ou pela fronteira seca, no Mato Grosso do Sul, que é uma fronteira muito grande e o crime não para”, disse o delegado.

A fronteira entre Brasil e Paraguai está fechada deste o início da quarentena e a Ponte da Amizade, principal corredor de pedestres por onde passam diariamente 100 mil pessoas em períodos normais, também está parada.