Data reconhecida pela ONU dá visibilidade às lutas das mulheres negras


Letícia Brito, da CNN em São Paulo
24 de julho de 2020 às 19:31 | Atualizado 24 de julho de 2020 às 19:33

O Dia Internacional da Mulher Negra, Latino Americana e Caribenha, data reconhecida pela ONU (Organização das Nações Unidas) desde 1992, será comemorado no próximo sábado (25). Dos 25 países com maiores índices de feminicídio no mundo, 15 estão na América Latina e no Caribe.

No Brasil, as mulheres negras ainda são minoria em cargos de chefia em empresas, de postos no Judiciário e na política.

De acordo com a ONU, os lares chefiados exclusivamente por mães solo e negras estão entre os mais vulneráveis: 13,9% não possui abastecimento de água e mais de 40% não possui saneamento básico. Segundo o Atlas da Violência de 2019, 60% das mulheres mortas no Brasil eram negras.

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A inspiração da data tem origem num encontro realizado em 1992 na cidade de Santo Domingo, na República Dominicana, em que grupos de mulheres de 32 países da América Latina e do Caribe se reuniram para debater soluções na luta contra o racismo e a violência de gênero.

À CNN, a advogada e empresária do grupo de rap Racionais MCs, Eliane Dias, ressaltou que a cada 23 minutos, uma mãe chora a morte de seu filho negro no Brasil. “Estamos em marcha porque o racismo estrutural faz com que mulheres negras, ganhem 76% a menos que o homem branco”.

Já a ex-ministra dos Direitos Humanos e desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça da Bahia, Luislinda Valois, apontou que as mulheres negras são as mais discriminadas. “Esta data é um marco no nosso viver, no viver da mulher negra, caribenha americana e latina”.

(Edição: Leonardo Lellis)