Operação mira policiais militares suspeitos de comando em milícia no RJ

Agentes cumprem 6 mandados de prisão e 23 de busca e apreensão contra 14 policiais militares e 8 policiais civis

Jéssica Otoboni, da CNN, em São Paulo
30 de julho de 2020 às 07:49 | Atualizado 30 de julho de 2020 às 09:16
Agente do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco)
Foto: Divulgação / Ministério Público

O Ministério Público do estado do Rio de Janeiro (MPRJ), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/RJ), cumpre, na manhã desta quinta-feira (30), 6 mandados de prisão e 23 de busca e apreensão em uma ação contra agentes acusados de envolvimento em uma milícia que atua em Jacarepaguá, zona oeste da capital fluminense.  

A Operação Gogue Magogue tem como alvos 14 policiais militares e 8 policiais civis integrantes da milícia. São eles: o sargento da PM Jorge Henrique da Silva, conhecido como “Dô” e suposto líder do grupo, o sargento da PM Adelmo da Silva Guerini Fernandes, considerado o segundo no comando, os sargentos Nielsen da Silva Barbosa e Marcos Paulo Custodio Alves, o subtenente Francisco Santos de Melo, o cabo Leonardo de Oliveira Pelussi, além de outros 8 PMs flagrados em conversas suspeitas com membros da organização criminosa, de acordo com a denúncia do Gaeco/RJ. 

Os policiais civis alvos dos mandados de busca e apreensão denunciados por participação na milícia: Moisés Ubiratan Lopes Peres, Luís César Lima Napoli ("PC"), Antônio Marcos Santos Silva ("Marquinho", atualmente foragido da Justiça), Marilena Nascimento Faria, Carlos Renato Nascimento Faria ("Renatinho"), Cristiano Pereira Gomes, Ygor Rodrigues Santos da Cruz e Kleber Farias de Oliveira Carneiro.

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Um dos mandados de busca e apreensão foi cumprido em um imóvel supostamente utilizado como central clandestina de TV a cabo. Os demais foram realizados nos 5º, 14º, 18º, 21º e 22º Batalhões, além da 1ª UPP - Santa Marta. 

Segundo informações do Ministério Público do RJ, o grupo é responsável por diversos crimes na comunidade de Asa Branca, “como a exploração e comercialização de sinais clandestinos de televisão a cabo (“gatonet”) e a venda de cigarros ilegais”, além de explorar ilegalmente pontos de mototáxi.   

A investigação aponta que a milícia cobra “taxas extorsivas” dos mototaxistas para permitir que eles circulem livremente pela região de Jacarepaguá, Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes, bairros da zona oeste da cidade, "fazendo vista grossa para as irregularidades de trânsito eventualmente praticadas", segundo o MPRJ. Esses agentes também são acusados de receber propina para fornecer informações privilegiadas sobre operações policiais na área. 

Ao serem abordados pela polícia, os mototaxistas faziam contato com os milicianos e eram liberados. Em algumas vezes, os próprios PMs presentes na operação assumiam a ligação para confirmar com o envolvido se o mototaxista detido é parceiro do grupo. 

Conhecida por empregar violência e ameaçar aqueles que atrapalhavam seus interesses, a milícia bania da região, ameaçava ou agredia fisicamente os mototaxistas que deixavam de pagar as taxas cobradas pelos criminosos, que por vezes também chegavam a "confiscar" as motos, conforme indicam telefonemas interceptados.

A denúncia também aponta "indícios da prática de invasão de propriedade, grilagem de terras, exploração sexual de menores e lesões corporais contra membros da própria organização criminosa que cometessem erros ou desobedecessem a ordens de superiores". 

A operação desta quinta conta com o apoio da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI/MPRJ), da Corregedoria-Geral da Polícia Militar (PMERJ) e de técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).