Primo de Baldy recebeu dinheiro escondido em caixas de gravata, diz MPF

Fotos foram encontradas no celular de Edson Giorno, um dos funcionários da organização social Pró-Saúde e delator de esquema

Maria Mazzei e Leandro Resende, da CNN, no Rio de Janeiro 
18 de agosto de 2020 às 18:30 | Atualizado 18 de agosto de 2020 às 19:29

Durante a investigação que apurava o esquema de fraude montado pelo ex-ministro das Cidades Alexandre Baldy e seu primo Rodrigo Sérgio Dias, os procuradores do Ministério Público Federal do Rio de Janeiro se depararam como uma entrega de dinheiro bastante inusitada. 

O dinheiro foi escondido em caixas de gravatas da luxuosa grife francesa “Hermès” e entregue para Rodrigo Dias numa charutaria, no Itaim Bibi, em São Paulo, em 20 de outubro de 2018. Em fotos na denúncia do MPF, é possível ver bem o dinheiro camuflado nas caixas. As fotos foram encontradas no celular de Edson Giorno, um dos funcionários da organização social Pró-Saúde, envolvida no esquema de fraudes. Edson é um dos delatores dos crimes ao MPF. Cabia a ele facilitar a aproximação dos contatos com o núcleo político e com as entregas de valores.

Nesta terça-feira, a Força-Tarefa da Lava Jato do MPF denunciou onze pessoas pelo cometimento de crimes de corrupção, peculato, fraude a licitações e organização criminosa. No comando do da organização criminosa, segundo os investigadores está Baldy.

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Foto: Reprodução/MPF

“O papel de Alexandre Baldy era central no comando e na utilização de seu poder político e influência junto às mais variadas entidades públicas para assegurar a perpetração dos delitos. A essa forma de atuação, deu sustento seu primo Rodrigo Dias e parceiro de confiança em cargos públicos, que se colocou à frente das negociações e, por vezes, dos recebimentos de valores”, descrevem os procuradores. 

Em um encontro em setembro de 2018, em um apartamento nos Jardins, em São Paulo, Baldy disse a Edson Giorno, que “poderia conseguir sua nomeação como Secretário de Estado para que esse viesse a ter foro por prerrogativa de função, e, assim, ficasse mais protegido das investigações”. A informação consta na delação de Edson. 

Em 120 páginas os procuradores detalham pelo menos oito encontros para os pagamentos oriundos de vantagens indevidas. O esquema contava com a indicação de aliados de Baldy para o controle dos órgãos que pudessem contratar a empresa. A partir daí, ocorria o direcionamento da licitação, sempre mediante pagamentos. Os procuradores identificaram que houve fraudes em licitações promovidas pela Junta Comercial de Goiás (Juceg) e pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Em nota, a defesa de Alexandre Baldy informou que está tomando providências para provar sua inocência.

Leia a íntegra do posicionamento do ex-ministro: 

Alexandre Baldy é empresário e industrial, tem sua vida pautada pelo trabalho, correção e retidão, seja no setor privado ou público. Sempre esteve e segue à disposição para esclarecer quaisquer questões sobre a sua vida ou as funções públicas as quais exerceu. Todo o seu patrimônio é declarado, inclusive os mencionados nas peças apresentadas na medida cautelar. Todas as providências na defesa para que a inocência de Alexandre Baldy seja comprovada estão sendo tomadas.