Visão Responde: quais os cuidados para voltar às aulas com segurança?

Para a infectologista, além das escolas, as famílias também precisam fazer a "lição de casa"

Da CNN, em São Paulo
20 de agosto de 2020 às 15:50 | Atualizado 20 de agosto de 2020 às 15:55

A infectologista Rosana Richtmann falou nesta quinta-feira (20) à CNN sobre as medidas de segurança para a volta às aulas presenciais em todo o país, suspensas em razão da pandemia do novo coronavírus. 

A infectologista lembrou que o retorno presencial às escolas não é somente ter o estudante dentro da sala de aula, e sim fazer toda uma adaptação. 

“É o transporte escolar, a mudança nos horários de entrada, saída e intervalo, fazer escalonamento de horários e adotar normas sanitárias”, falou.

“Estão usando até o termo 'alfabetização higiênica' – as crianças voltam às aulas e, na primeira semana, vão aprender a lavar as mãos, fazer distanciamento social e colocar a máscara”.

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Foto: Marcelo Camargo - 12.mar.2020/ Agência Brasil

Um estudo da Escola Médica da Universidade Harvard, nos Estados Unidos, concluiu que as crianças têm papel expressivo na transmissão da doença.

Na avaliação de Rosana, não há muitos motivos para as crianças menores voltarem às aulas, a não ser no caso em que os pais precisem sair para trabalhar e não tenham com quem deixá-las. De acordo com ela, é mais difícil ter controle nessa faixa etária.

“As crianças menores de 2 anos não podem usar máscaras. Para as de 2 a 6 anos é um desafio fazê-las usar e manipular o acessório, além de manter as regras básicas de higienização e distanciamento”.

Por outro lado, as escolas podem estar 100% preparadas para receber os alunos, mas as famílias também precisam fazer a “lição de casa”. 

Mandar a criança que está com sintomas clínicos para a escola, por exemplo, é totalmente inadequado. "É uma parceria de todos”, reiterou ela.

Situação dos estados

Em meio aos debates sobre a volta às aulas presenciais no país durante a pandemia da Covid-19, que ultrapassou 110 mil mortes no Brasil, alguns estados já começaram a definir datas de retorno, enquanto outros seguem sem definição de calendário.

Ao todo, o país tem oito unidades federativas sem aulas presenciais, suspensas por decreto: Amapá, Bahia, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Rondônia e Tocantins.

Apenas cinco estados já definiram ou iniciariam o retorno às salas de aula: Amazonas, Acre, Piauí, Rio de Janeiro e São Paulo.

Amazonas retomou o ano letivo no último dia 10. Já São Paulo prevê retorno em 7 de outubro a depender dos indicadores de saúde, segundo o secretário de educação do Estado de São Paulo, Rossieli Soares, disse à CNN.

Nove estados e o Distrito Federal seguem sem data definida: Alagoas, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Santa Catarina e Sergipe.

(Edição: Sinara Peixoto)