Com queimadas em alta, Pantanal pega fogo acima e abaixo da terra


Reuters
29 de agosto de 2020 às 17:37
Bombeiros combatem chamas no Pantanal

Bombeiros combatem chamas no Pantanal

Foto: Amanda Perobelli/Reuters (26.ago.2020)

O Pantanal está em chamas, mas o fogo às vezes é invisível. A vegetação que fica sob pântanos durante a temporada de chuvas se torna seca à medida que lagos e lagoas evaporam, deixando depósitos inflamáveis no subsolo, que continuam a queimar muito tempo após os incêndios visíveis terem sido controlados.

Bombeiros estão lutando simultaneamente contra incêndios na floresta amazônica e no cerrado, mas o fogo é um desafio particular no Pantanal. A única forma de combater as chamas subterrâneas é cavar uma trincheira ao redor delas.

"Mas como fazer isso se você tem uma linha de fogo de 20 quilômetros? Não é viável", comenta o tenente do Corpo de Bombeiros Isaac Wihby.

Leia também:

Maior refúgio mundial de araras-azuis é destruído pelo fogo no Pantanal

Mato Grosso do Sul entra em emergência ambiental por incêndios no Pantanal

Os incêndios no Pantanal em agosto de 2020 são os piores em 15 anos. As chamas ameaçam a biodiversidade da região, que inclui antas, onças, capivaras e a maior densidade de onças-pintadas do mundo.

À medida que os incêndios se aproximaram das equipes de emergência no Pantanal esta semana, agentes usaram tratores para cortar árvores e arbustos ressecados, deixando um rastro de terra marrom para conter o fogo.

Mas os ventos fortes podem fazer com que as chamas passem por cima deles, ou o fogo subterrâneo passa por baixo.

“Às vezes ele passa por baixo dos aceiros e pega os bombeiros de surpresa", disse o tenente-coronel Jean Oliveira, que está liderando os esforços. “Às vezes você controla o fogo, mas ele não está morto realmente, só dormindo”.

Bombeiros e agentes florestais têm trabalhado 24 horas por dia, há semanas, tentando apagar as chamas que destruíram centenas de quilômetros quadrados de Pantanal.

Até agora, o Pantanal registrou 4.677 focos de calor em agosto, na pior sequência de incêndios desde agosto de 2005, de acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

As chuvas trouxeram alívio temporário à região sul do Pantanal na semana passada, mas os incêndios voltaram a aumentar esta semana. "É nosso pior ano do fogo aqui. Nunca ficou seco desse jeito", disse Edmilson Rodrigo da Silva, bombeiro de Mato Grosso.