Membro de comitê científico pede 'providências urgentes' no RJ após aglomerações


Da CNN
08 de setembro de 2020 às 10:50

Em entrevista à CNN, na manhã desta terça-feira (8), Sylvio Provenzano, médico e representante do conselho no comitê científico da prefeitura do Rio de Janeiro, pediu urgência às autoridades quanto às medidas de isolamento social na capital fluminense. Segundo ele, faltou uma ação mais efetiva da prefeitura em conscientizar a população.

"O comitê científico vem há algum tempo falando do comportamento do carioca que está muito distante daquele que se se preconiza (...) Nós estamos diante de uma doença altamente contagiosa e acredita-se que mais de 70% da população não tenha desenvolvido qualquer tipo de anticorpo contra esse vírus (...) O que a gente vê nas praias é tudo aquilo que não se quer", iniciou. 

As cenas de aglomeração nas praias e bares do Rio de Janeiro ao longo do final de semana e do feriado desta segunda-feira (7) causaram muita preocupação na prefeitura carioca. O comitê científico da prefeitura se reúne até a próxima quarta-feira (9) para avaliar se determina medidas mais restritivas de acesso à orla e se reduz o horário de funcionamento dos bares em meio à pandemia de coronavírus. 

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Sylvio Provenzano é representante do conselho no Comitê Científico da Prefeitura

Sylvio Provenzano, representante do conselho no comitê científico da prefeitura do Rio

Foto: Reprodução/CNN (8.set.2020)

"Nós insistimos que deveria ter uma ação para tentar evitar estes episódios. Agora, a pergunta que não cala: como evitar que milhares de pessoas não tenham acesso às praias? Colocando cordões de isolamento? É pena que a população não tenha se conscientizado dos riscos que estão correndo ao desobedecer o isolamento social", avalia.

Na avaliação do médico, o comitê já teria alertado a prefeitura e dado as devidas orientações, baseadas em números disponíves à população. No entanto, ainda segundo o especialista, o poder Executivo tem total autonomia ao tomar as decisões.

"Foi proposto um diálogo com o governador Cláudio Castro para tentar uma ação conjunta da Guarda Municipal com a PM. Nós pedimos à prefeitura que fossem feitas campanhas maciças o que, a meu ver, não foi feito. O que nós temos feito, e agradecemos muito à imprensa por isso, é a possibilidade de falar com as pessoas que não é o momento de nós nos juntarmos. O momento é ficarmos distantes e de utilização de máscaras em lugares públicos. Essas são as recomendações do comitê, que apenas faz uma orientação, cabendo ao poder Executivo as ações necessárias para isso", reafirmou.

E acrescentou: "Cabe urgências às autoridades tomarem providências para evitar que fatos lamentáveis como este que a gente viu no feriado volte a se repetir. Esperemos, evidentemente, o pior, isso vai acabar aumentando o número de casos".

(Edição: André Rigue)