PGR vai apurar suposto crime de responsabilidade de ministros da Defesa e Saúde

A CNN revelou que o Exército só contestou uma alta de 167% no valor do insumo dois meses depois de a compra já ter sido feita

Daniel Mota e Luiz Fernando Toledo Da CNN, em São Paulo
17 de setembro de 2020 às 18:42 | Atualizado 17 de setembro de 2020 às 20:07


A Procuradoria-Geral da República (PGR) decidiu instaurar um procedimento para apurar a suposta prática de crimes de responsabilidade pelos ministros da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, e da Saúde, Eduardo Pazuello, por terem aplicado recursos públicos na produção de cloroquina, remédio sem comprovação científica no tratamento da Covid-19.

A notícia de fato foi instaurada um dia depois de a CNN ter revelado que o Exército só contestou uma alta de 167% no valor do insumo para produção do remédio em dois meses depois de a compra já ter sido feita. A reportagem mostrou ainda que a empresa alegou aumento nos custos internacionais, mas vendeu material tinha estoque desde março e parte adquirida no mercado interno.

A denúncia que motivou a abertura de procimedimento foi registrada pela deputada federal Natália Bonavides (PT-RN) e aponta que houve suposta impropriedade na aquisição de grande quantidade do medicamento, já que não há comprovação científica de seu funcionamento contra o coronavírus, além de estar em um momento em que há escassez de recursos em ambas as pastas.


O Ministério da Defesa informou que "desconhece o teor da referida petição e não recebeu qualquer notificação da Procuradoria-Geral da República ou do Supremo Tribunal Federal sobre este assunto". O Ministério da Saúde ainda não se manifestou.

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