Poluição por ônibus caiu mais de 50% em SP durante a pandemia, aponta pesquisa

Segundo o levantamento, houve redução de 52% das emissões de dióxido de carbono (CO2) pelos transportes públicos

Julyanne Jucá, da CNN, em São Paulo
22 de setembro de 2020 às 09:56
 
Usuários de transporte público e motoristas de ônibus utilizam máscaras de proteção na rua da Consolação. São Paulo, 29 de abril de 2020.
Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A pandemia da Covid-19 afetou a diminuição da poluição de transportes públicos na cidade de São Paulo, segundo levantamento do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) divulgado nesta terça-feira (22). A velocidade média dos ônibus municipais também aumentou durante o isolamento, o que contribui para o resultado.

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Os dados apresentados pelo IEMA consideram um dia útil médio de abril, quando a quarentena mais restritiva estava em vigor na cidade, comparado a um dia útil médio de fevereiro - antes da pandemia. Segundo o levantamento, houve redução de 52% das emissões de dióxido de carbono (CO2) pelos transportes públicos, um dos principais poluentes que intensifica o aquecimento global. 

Outro apontamento feito refere-se a emissão de material particulado (MP), que é formado por fuligens e outras partículas sólidas ou líquidas em suspensão na atmosfera e que podem causar complicações cardiorrespiratórias. Neste aspecto, a redução foi de 51%. Já em relação ao óxido de nitrogênio (NOx), também responsável por problemas pulmonares, a redução chegou a 56%.

A velocidade da circulação dos ônibus na cidade é fator diretamente ligado à redução dos poluentes. "Sob uma velocidade maior, eles ficam menos tempo no trânsito e tornam-se mais eficientes, gerando menos emissão por quilômetro trafegado. Para cada quilômetro rodado em fevereiro pelos ônibus públicos, era emitido mais poluentes e GEE do que para cada quilômetro percorrido durante o isolamento social", diz o estudo. 

O motivo de os ônibus circularem de forma mais rápida é justificado por dois motivos, segundo a pesquisa. A diminuição de carros particulares nas ruas e a menor quantidade de passageiros em pontos de parada, uma vez que os veículos ficam menos tempo nos locais. 

O estudo conclui que o aumento da velocidade dos ônibus em conjunto com a redução da atividade e a alteração no comportamento de outras fontes emissoras de poluentes podem ter contribuído diretamente para a "breve melhoria da qualidade ambiental na cidade."

Mas relembra que o poder público e as operadoras terão de reduzir pela metade as emissões de CO2 do transporte por ônibus, uma vez que esse compromisso está previsto na Lei Municipal nº 16.802, de 2018, que trata do uso de fontes motrizes de energia menos poluentes e menos geradoras de gases do efeito estufa.