PF investiga golpe de empresa que vende 'vacina' contra coronavírus em Niterói

PF diz que empresa investigada não possui qualquer tipo de autorização ou de convênio com as autoridades sanitárias, ou com a empresa desenvolvedora de vacina

Leandro Resende e Iuri Corsini Da CNN, no Rio de Janeiro
08 de outubro de 2020 às 18:07 | Atualizado 08 de outubro de 2020 às 19:59

A Polícia Federal investiga uma empresa que está se aproveitando da pandemia de coronavírus para dar um golpe em Niterói, região metropolitana do Rio. Agentes cumpriram nesta quinta-feira (8) mandado de busca e apreensão contra a companhia que está vendendo um produto falso como se fosse a vacina contra a Covid-19, ainda em desenvolvimento. A investigação teve início a partir de uma denúncia recebida pela Anvisa, repassada pela PF.

A CNN teve acesso ao panfleto usado no golpe. A "vacina anunciada" é a produzida pela Universidade de Oxford em parceria com a Astrazeneca, e há uma tabela de preços por lote das vacinas, com anúncio de que há “pedidos mínimos” de mil doses.

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Panfleto anuncia venda de 'vacina' contra Covid-19

Foto: Reprodução

Em nota, a PF informou que “a empresa investigada não possui qualquer tipo de autorização ou de convênio com as autoridades sanitárias, ou com a empresa desenvolvedora da vacina para atuar no processo de desenvolvimento ou comercialização desta”.

Os investigadores suspeitam que os responsáveis pela suposta venda estão querendo criar a ilusão de que já possuem a vacina e, assim, perpetuar o crime de fraude.

O superintendente regional da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Tácio Muzzi, afirmou que as diligências da PF não encontraram nenhuma vacina na empresa denunciada, mas apenas panfletos ofertando o que o superintendente chamou de "pseudo-vacina". Os lotes eram ofertados no valor de R$ 300.

“Até agora não se tem notícia da existência de vacina. Eles estavam oferecendo 'fumaça'”, afirmou Muzzi, em alusão à não existência do produto.

De acordo com o superintendente, ficou configurado crime de estelionato, cuja pena pode variar de 1 a 5 anos de prisão, pois a empresa em questão estava vendendo algo que aparentemente não existe. 

Esta teria sido a primeira denúncia de vacina ilegal contra a Covid-19 no estado do Rio.

A autoria da denúncia enviada à Anvisa foi feita por uma outra empresa, que também não teve o nome divulgado, que está ligada ao processo de fabricação da vacina contra a Covid-19 no Brasil. 

Ainda de acordo com Muzzi, a atuação em conjunto entre Anvisa e Polícia Federal ocorreu de forma rápida. Foram poucos dias entre o momento em que a Anvisa recebeu a denúncia e as diligências da PF na empresa que estava ofertando a vacina ilegal.