'Era de se esperar que ele iria se evadir', diz promotor sobre André do Rap

No mesmo dia em que saiu da penitenciária, o presidente do Supremo Luiz Fux suspendeu a liminar e, neste momento, ele é considerado foragido da Justiça

Julyanne Jucá, da CNN, em São Paulo
12 de outubro de 2020 às 11:54

A libertação de André Oliveira Macedo, conhecido como André do Rap, tem provocado críticas de autoridades, políticos e especialistas.

André do Rap foi libertado da Penitenciária II, de Presidente Venceslau, na manhã de sábado (10), após o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, conceder um habeas corpus. No entendimento do magistrado, ele não teve sua prisão preventiva prorrogada no prazo o que, em seu entendimento, configurou excesso de prazo. 

No mesmo dia em que saiu da penitenciária, o presidente do Supremo, Luiz Fuxm suspendeu a liminar e, neste momento, André do Rap é considerado foragido da Justiça.

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André do Rap
Foto: Reprodução/CNN Brasil (12.out.2020)

Lincoln Gakiya, promotor do Grupo de Atuação Especial e Combate ao Crime Organizado (GAECO), do Ministério Público de SP e responsável por grandes investigações contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), afirmou em entrevista à CNN que "não houve falha do MP, nem mesmo demora" na renovação da prisão de André do Rap.

Para determinar a soltura, o ministro Marco Aurélio aplicou o artigo 316 do Código de Processo Penal, que prevê a revisã da prisão preventiva a cada 90 dias. "Faltou razoabilidade e não somente a interpretação literal desse parágrafo do código penal", entende Gakiya.

"Estamos tratando aqui de um dos traficantes mais perigosos do país. Traficante em contato com máfias estrangeiras, que colocou mais de 4 toneladas de cocaína para a Europa, que ficou mais de quatro anos foragido da Justiça. Portanto, era de se esperar que ele iria se evadir, e não iria para a residência como determinado pelo ministro Marco Aurélio", completou.

Uma força-tarefa com departamentos da Polícia Civil de São Paulo, bem como das polícias Civil e Federal do Paraná busca por André do Rap. Há indícios de que o criminoso tenha ido em direção ao estado do sul, porém diligências estão sendo cumpridas na Baixada Santista e no Rio de Janeiro. As autoridades também trabalham com a possibilidade de ele ter fugido para o exterior. "Sabemos que ele tinha um 'aviãozinho' particular à sua disposição", disse o promotor.

Gakiya é responsável por diversas investigações relacionadas ao PCC. À CNN explicou que André do Rap tem importante participação na organização criminosa. "Depois do assassinato do Gegê do Mangue, que era incumbido de implementar o comércio internacional de cocaína na Europa, ele assumiu essa função. É o principal responsável pela remessa de drogas no continente, principalmente pelo Porto de Santos." Segundo ele, "sua liberadade vai ajudar e muito no aumento e crescimento do comércio dessa droga."

O chefe do PCC foi condenado duas vezes em segunda instância por tráfico internacional de drogas. Ele teve a prisão preventiva decretada em 2014, mas ficou foragido por cerca de cinco anos. Em 14 de setembro de 2019, foi preso em uma mansão em Angra dos Reis, Rio de Janeiro.