Espécie de tartaruga mais ameaçada do mundo é encontrada encalhada na Bahia


Giulia Alecrim*, da CNN, em São Paulo
18 de outubro de 2020 às 16:51 | Atualizado 18 de outubro de 2020 às 18:09
Tartaruga-de-couro foi resgatada na praia de São Miguel, em Ilhéus

Tartaruga-de-couro foi resgatada na praia de São Miguel, em Ilhéus

Foto: Instagram/Projeto (A)mar

Uma tartaruga-de-couro, também chamada de tartaruga-gigante, foi encontrada encalhada na praia de São Miguel, em Ilhéus (BA), na última quinta-feira (15). O resgate foi realizado pelo Projeto (A)mar, que atua na conservação e monitoramento de espécies marinhas do litoral baiano há 5 anos.

A tartaruga-de-couro, ou Dermochelys coriacea, é a espécie mais ameaçada do mundo e também uma das mais raras, de acordo com a ONG (A)mar. No Brasil, ela é classificada como criticamente em perigo - em risco de extinção - e estima-se que haja entre 200 e 300 delas no país, e entre 800 e 900 no sul do Oceano Altântico.

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Depois de ter sido encontrada em Ilhéus, a tartaruga foi examinada e devolvida ao mar. De acordo com a bióloga e coordenadora do projeto, Stella Tomas, a tartaruga nomeada de Esperança foi transportada da praia de São Miguel para uma praia particular da Marinha, de modo a facilitar a inserção da mesma num mar mais calmo, visto que ela não tinha uma das nadadeiras. À CNN, Stella explicou que o transporte também foi feito de modo a proteger a tartaruga de ser caçada e consumida naquele local. 

Essa espécie de tartaruga é oceânica e costuma ficar em alto mar, sendo observada nas costas litorâneas em época de reprodução. De acordo com a bióloga, é possível que Esperança - que mede 2,10m e pesa 200 kg - tenha se aproximado da praia na tentativa de colocar seus ovos, mas devido à deficiência física, encontrou dificuldade em ultrapassar a zona de arrebatação da maré e voltar para o alto mar. Foi encontrada cansada, com escoriações leves, mas condição corporal saudável e respiração regular.

O resgate e o chamado para uma tartaruga-de-couro foi o primeiro recebido pela ONG, que já monitorava a espécie sob finalidade científica no sul da Bahia. Apesar da equipe não ter registro de ninhos da espécie, caso o mesmo fosse colocado, poderia levar de 60 a 90 dias para o nascimento dos filhotes. 

(*Sob supervisão de André Rosa)