PF faz operação em SP e RJ contra crimes de corrupção ligados a fiscais federais

São cumpridos 14 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Barueri (SP), Santo André (SP) e Rio de Janeiro

Jéssica Otoboni, da CNN, em São Paulo
22 de outubro de 2020 às 07:57 | Atualizado 22 de outubro de 2020 às 08:34
Agentes da Polícia Federal fazem operação no Rio de Janeiro
Foto: Reprodução - 15.out.2020 / CNN

A Polícia Federal cumpre 14 mandados de busca e apreensão nesta quinta-feira (22), sendo 10 na cidade de São Paulo, 2 em Barueri (SP), 1 em Santo André (SP) e 1 na capital do Rio de Janeiro. A Operação Triuno investiga autores de crimes de corrupção ativa e passiva, associação criminosa, sonegação tributária, embaraço à investigação que envolva organização criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, falsidade ideológica e apresentação de documento falso.

Segundo informações da PF, a partir da análise de documentos apreendidos em um escritório de advocacia especializado em operações simuladas de prestação de serviços e/ou fornecimentos de produtos, os investigadores identificaram três grupos empresariais suspeitos de utilizar esses serviços para obter recursos em espécie e pagar propina a três fiscais federais e a um fiscal estadual.

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A investigação mostrou que três auditores fiscais fiscalizavam duas empresas em 2014 e 2015. "Elas simularam a contratação do escritório de advocacia e de empresas de assessoria ligados aos auditores, para prestação de serviços jurídicos e de consultoria para pagamento de R$ 4,7 milhões", informou a PF.

Esse valor foi convertido em dinheiro em espécie por meio de sucessivas transferências para companhias controladas ou relacionadas ao escritório de advocacia até chegar a empresas controladas por doleiros. A partir daí, o dinheiro era entregue aos três fiscais "que, supostamente, não incluíram todos os tributos devidos nas autuações lavradas em razão das mencionadas fiscalizações".

Os agentes também identificaram que outra empresa de um dos grupos pagou mais R$ 26 milhões entre 2013 e 2017 por serviços de corretagem de planos de saúde que não foram prestados. Estes fatos aparentemente não estão relacionados aos anteriores, mas ocorreram da mesma forma, já que uma parte do dinheiro foi repassado a empresas controladas por doleiros e outra foi enviada ao exterior.

Fiscal estadual envolvido

Além disso, um fiscal da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo disse que apresentou o dono do escritório de advocacia especializado na lavagem de dinheiro ao então CEO de outra companhia para que fossem gerados recursos em espécie com o objetivo de pagar o funcionário público.

Neste caso, foram simuladas atividades de prestação de serviços de advocacia e assessoria no valor de R$ 4,3 milhões, entre 2011 e 2015. Mais tarde, os investigadores descobriram que o CEO era filho do dono de uma das empresas que pagaram propina aos fiscais federais. 

Os agentes também identificaram que esta companhia apresentou documentos ideologicamente falsos para tentar justificar os serviços que não foram prestados. 

A investigação contou com o auxílio de agentes da Receita Federal e do Ministério Público Federal (MPF).

(Com informações de Giovanna Bronze, da CNN, em São Paulo)