Após incêndio, governador interino do RJ diz que deve haver mais fiscalização

Cláudio Castro discutiu com o presidente assuntos como regime de recuperação fiscal, projetos de infraestrutura e vacinação contra Covid-19

Jéssica Otoboni, da CNN, em São Paulo
28 de outubro de 2020 às 14:07 | Atualizado 28 de outubro de 2020 às 14:09

O governador em exercício do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC), se reuniu nesta quarta-feira (28) com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e discutiu assuntos como regime de recuperação fiscal, projetos de infraestrutura e vacinação contra Covid-19. À CNN, Castro contou sobre o que foi abordado na reunião e comentou sobre o incêndio no Hospital Federal de Bonsucesso.

Ele disse que ligou para o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, lamentando o ocorrido, e colocou o estado à disposição, com hospitais e bombeiros, para que se possa determinar de quem é a responsabilidade.

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O governador interino do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PSC)
Foto: Reprodução - 28.out.2020 / CNN

O governador afirmou que é preciso aumentar a fiscalização, já que é o quarto incidente do tipo em pouco tempo, e fazer reformas. "No ano passado, o estado mandou muito dinheiro aos municípios. Falei para ele [o secretário de Saúde, Carlos Alberto Chaves] que eu quero, antes de mandar dinheiro, que a nossa rede esteja apta e reformada", declarou. "A rede estadual tem que ser melhor equipada."

Ele disse ainda que "sempre depois de uma situação como essa tem um inquérito aberto, e é ele que vai apurar de quem foram as responsabilidades".

Privatização do SUS

Sobre a possibilidade de empresas assumirem o serviço das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do país, Castro afirmou que o RJ tem hoje um modelo de organização social (OS) que ele considera "falido". "A meta que dei para a Secretaria de Saúde é que ela acabe com todas as OSs, que passe tudo para a Fundação Saúde", disse.

"Eu gosto do modelo de empresas privadas. Gosto de todo modelo que é claro e transparente." Para ele, ter instituições sem fins lucrativos "gera uma nebulosidade muito ruim para o poder público".

Questionado se é favorável a uma privatização do Sistema Único de Saúde (SUS), Castro respondeu: "A princípio, sou contra. Tem que olhar a proposta, o que seria. Mas assim, de bate-pronto, sou contra".

Reunião com Bolsonaro

Com relação ao regime de recuperação fiscal, o governador interino disse à CNN que ficou "muito satisfeito" após a reunião com Bolsonaro, o qual, segundo ele, "se colocou muito sensível em ajudar" o estado.

"Pedi que a base do governo nos ajude a aprovar esse projeto, que hoje é o novo regime de recuperação fiscal. Ele trata de diversos pontos que são fundamentais, principalmente para os estados que estão em dificuldades financeiras", disse.

Ele contou que a reunião com o presidente foi uma "conversa de trabalho" e não de posicionamento político. Afirmou também que aproveitou a ocasião para falar sobre vacinação contra Covid-19 e como o RJ está se preparando para isso.

Segundo o governador interino, a postura do estado com relação a essa questão será "técnica", já que se tiver que comprar a substância, os técnicos da Secretaria de Saúde é que vão dizer qual vacina consideram melhor, seja de Oxford, seja a Coronavac ou outra.

Sobre vacinação contra o novo coronavírus, o governador declarou que o RJ é contrário a uma obrigatoriedade. "Não se tem sequer um estudo [sobre] se essa imunização permanece ou não. O que você faz com as pessoas que já tiveram Covid-19? Você obriga elas, que teoricamente já estão imunizadas, a se imunizar de novo?", questionou.

"É uma doença muito nova para se ter respostas tão drásticas e determinações tão drásticas. A gente não sabe os efeitos colaterais que essa vacina terá", afirmou Castro.