Polícia investiga vereador do RJ baleado por envolvimento com a milícia

Zico Bacana foi citado em relatório da CPI das milícias, em 2008, mas não foi indiciado nem se tornou alvo de investigação

Leandro Resende
Por Leandro Resende, CNN  
10 de novembro de 2020 às 17:19

A Polícia Civil abriu investigação para apurar o envolvimento do vereador carioca Zico Bacana (Podemos) com uma milícia que atua na capital fluminense. Ele é candidato à reeleição e foi um dos sete políticos baleados no Rio de Janeiro em 2020 - no começo deste mês, ele levou um tiro de raspão na cabeça durante uma ação de campanha na Zona Norte. A investigação foi aberta após o episódio, e colocou Zico Bacana em uma lista que tem ao todo 12 inquéritos abertos contra políticos e cabos eleitorais por suspeita de envolvimento com a milícia no Rio de Janeiro. 

Candidato à reeleição neste ano, Zico Bacana foi um dos citados no relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou a atuação de milícias no Rio em 2008 -  o atual parlamentar, que é policial militar, integraria um grupo com atuação em Guadalupe, na Zona Norte do Rio. Na ocasião, ele não foi indiciado pela CPI e nem se tornou alvo de investigação. 

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A Polícia Civil montou uma força tarefa há cerca de um mês e meio para investigar o avanço das milícias no estado. Com cerca de 300 agentes envolvidos nas ações, o grupo passou a olhar, como prioridade, para a relação entre os criminosos e as eleições municipais deste ano. Até agora já foram abertos 12 investigações para apurar influência dos grupos sobre a realização de campanhas eleitorais e indícios de acordos entre milicianos e parlamentares. 

Levantamento da plataforma Fogo Cruzado revelou que 46 políticos foram baleados no Rio de Janeiro desde 2016 - desses, 38 morreram. Neste ano foram 7 casos de políticos alvo de tiros no estado - a polícia os investiga, incluindo o episódio de Zico Bacana. Até agora, as investigações revelaram que apenas um dos 7 casos tem relação comprovada entre crime e exercício de atividade política: um pré-candidato a vereador assassinado em Araruama, na Região dos Lagos, em maio. Os outros casos seguem em apuração.