CEO da Somos Educação: pandemia aumenta distância entre ensino privado e público

Para Mario Ghio, faltou diálogo entre os políticos e a governança “confusa” atrapalhou as negociações entre a empresa e o poder público

Raquel Landim
Por Raquel Landim, CNN  
15 de novembro de 2020 às 00:00

 

O uso intensivo de tecnologia nas escolas privadas e a dificuldade de adaptação das escolas públicas ao ensino online durante a pandemia do novo coronavírus vai aumentar a distância entre os ensinos privados e públicos. A avaliação é do CEO da Somos Educação, Mario Ghio.

A Somos Educação é o braço de soluções tecnológicas da Cogna, maior empresa de educação privada no Brasil, dona de escolas como Anglo e Pitágoras.

“Minha frustração pessoal é que não conseguimos levar as iniciativas para a área pública”, disse Ghio ao CNN Líderes. “A área pública não conseguiu escolher poucas soluções de muita escala e relevância. Ficaram com soluções pequenas e irrelevantes.”

Segundo ele, faltou “diálogo” entre os políticos e a governança “confusa” atrapalhou as negociações entre a empresa e o poder público. No Brasil, os municípios são responsáveis pelo ensino infantil e fundamental, enquanto os Estados cuidam do ensino médio. “Faltou coordenação e cobrança da família brasileira”, completou.

As iniciativas ao que o executivo se refere são as soluções tecnológicas oferecidas pela Somos Educação que permitiram às escolas privadas melhorar o ensino online em meio à pandemia. Ghio conta que a companhia conquistou muitos clientes – no caso, escolas - em meio à recessão. Hoje as plataformas da Somos Educação atendem online 1,4 milhão de alunos e 70 mil professores.

O aumento das vendas e o entusiasmo dos investidores com o ensino online levou a empresa a abrir capital na Nasdaq, bolsa de companhias de tecnologia nos Estados Unidos, em agosto deste ano. A empresa captou R$ 2 bilhões no mercado financeiro americano.

O executivo explica que metade dos recursos foi utilizada para pagar dívidas constituídas durante a construção da companhia e o restante será aplicado em inovação e em aquisições. Ele revela que estão na mira empresas de educação no Norte e Nordeste e em países da América Latina. “Queremos levar uma jabuticaba brasileira, que é o ensino estruturado (por apostilas nos cursinhos) para a Colômbia ou o Peru”, afirmou.

Ghio, que também é educador, está convencido que, mesmo quando a pandemia acabar, os estabelecimentos de ensino continuarão “híbridos”.  Ele acredita que as escolas vão utilizar o ambiente virtual para melhorar o aprendizado dos conteúdos por meio de atividades interativas, enquanto desenvolvem nas aulas presenciais habilidades sócio emocionais como liderança e comunicação.