Companheira de homem morto no Carrefour diz que tentou ajudar, mas foi impedida

Milene Borges Alves, a companheira de João Alberto Silveira, de 40 anos, morto após espancamento, deu entrevista à Rádio Gaúcha relatando o que viu

Da CNN, em São Paulo
20 de novembro de 2020 às 16:36


Milene Borges Alves, a companheira de João Alberto Silveira – de 40 anos, morto após ser espancado e asfixiado por seguranças de uma unidade do supermercado Carrefour em Porto Alegre, deu entrevista à Rádio Gaúcha relatando o que viu da tragédia.

Milene conta que ela tentou ajudar Silveira, mas foi impedida pelos seguranças.

“Eu estava pagando o caixa, daí ele desceu na minha frente. Quando cheguei lá embaixo, ele já estava imobilizado. Ele pediu: Milena, me ajuda! Quando eu fui, os seguranças me empurraram.”

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O caso

João Alberto Silveira Freitas foi espancado em uma unidade do supermercado Carrefour em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, na noite dessa quinta-feira (19), véspera do Dia da Consciência Negra. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu.

A cena, em que os dois homens brancos agridem Silveira no estacionamento do estabelecimento, foi filmada e circula nas redes sociais.

De acordo com a Polícia Militar, os envolvidos, seguranças do local, foram presos em flagrante, acusados de homicídio. Contudo, eles ainda devem ser indiciados por homicídio triplamente qualificado.

Um deles é um agente militar temporário – que não estava em serviço policial no momento do crime –, "cuja conduta fora do horário de trabalho será avaliada com todos os rigores da lei". Um PM temporário é contratado de forma emergencial para prestar serviços administrativos à corporação, e não nas ruas.

Carrefour lamenta ocorrido
Em nota, o Carrefour disse que "lamenta profundamente o caso" e que "adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso".

A empresa informou ainda que vai romper o contrato com a companhia responsável pelos seguranças que cometeram a agressão e demitirá o funcionário que estava no comando da loja no momento do crime. A loja vai permanecer fechada nesta sexta.

"Ao tomar conhecimento deste inexplicável episódio, iniciamos uma rigorosa apuração interna e, imediatamente, tomamos as providências cabíveis para que os responsáveis sejam punidos legalmente", diz o comunicado do Carrefour. "Para nós, nenhum tipo de violência e intolerância é admissível, e não aceitamos que situações como estas aconteçam."

Governador pede rigor na apuração

O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), afirmou nesta sexta-feira (20) que a polícia apurará todas as circunstâncias do caso que terminou com a morte de um homem negro espancado em uma unidade do supermercado Carrefour, em Porto Alegre.

“Infelizmente, neste dia em que deveríamos celebrar essa políticas públicas nos deparamos com cenas que nos deixam indignados pelo excesso de violência que levou à morte de um cidadão negro em um supermercado aqui na capital gaúcha”, disse Leite, em vídeo publicado em suas redes sociais.

“Os inquéritos policiais estão sendo levados adiante com muito rigor. Aqueles que se envolveram, [estão] detidos e já [foi] apresentado também o inquérito por homicídio triplamente qualificado. Toda a investigação vai se dar no curso desse processo”, completou o governador.

O governador disse ainda que será empenhado todo o esforço do Estado na apuração do caso para que “os responsáveis por esse crime enfrentem a Justiça, tendo oportunidade para sua defesa”. “Mas as cenas são incontestes de que houve excessos.”

No mesmo vídeo, a chefe da Polícia Civil do estado, Nadine Anflor, afirmou que duas pessoas já foram presas e que outras duas serão investigada ao longo do inquérito policial. "A Polícia Civil dá uma resposta a essa intolerância que aconteceu ontem dentro de um mercado", afirmou.

Ela disse ainda que no dia 10 de dezembro será inaugurada no estado a primeira delegacia especializada em crimes de intolerância. 

Já o comandante-geral da Brigada Militar, Rodrigo Mohr Picon, esclareceu que o policial militar temporário envolvido no caso será retirado da corporação nos próximos dias e responderá civilmente pelo crime.

Prefeito diz que violência é inaceitável
Prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Jr (PSDB), usou sua conta no Twitter para manifestar seu pesar à família e aos amigos da vítima.

“Meus sentimentos à família e amigos do João Alberto Freitas. Neste Dia da Consciência Negra, em que deveríamos celebrar o povo negro e refletir sobre igualdade e respeito, infelizmente acordamos com esta notícia lastimável. Não podemos aceitar este tipo de violência”, escreveu.

 

(Publicado por Sinara Peixoto)