Entidade quer Carrefour investigado por racismo após morte de homem negro

João Alberto Silveira, de 40 anos, morreu após ser espancado por dois seguranças em uma loja da empresa em Porto Alegre

Carolina Figueiredo* Da CNN, em São Paulo
20 de novembro de 2020 às 18:05

 

A Coalizão Negra por Direitos, que reúne 150 organizações e entidades do movimento antirracista de todo o Brasil, apresentou ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público do Rio Grande do Sul, nesta sexta-feira (20), uma representação para que uma investigação por racismo seja aberta contra o supermercado Carrefour.

Na quinta-feira (19), um homem negro morreu após ser espancado por dois seguranças em uma unidade do Carrefour em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A vítima, João Alberto Silveira, de 40 anos, foi morta na véspera do feriado de Consciência Negra no Brasil.

O grupo também pede um boicote à empresa. “O vídeo que circula nas redes sociais não deixa dúvidas sobre a covardia do ocorrido”, diz a organização em nota.

O Ministério Público do Rio Grande do Sul afirmou que vai acompanhar a apuração dos fatos relacionados à morte de Freitas e disse que “todas as medidas necessárias para o esclarecimento das circunstâncias serão tomadas na tarefa de prontamente levar o caso à Justiça para a responsabilização dos agressores”.

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Na tarde desta sexta (20), o Foro Central de Porto Alegre determinou a prisão preventiva de Magno Braz Borges e Giovane Gaspar Da Silva, que são acusado de envolvimento na morte de Freitas.

O Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) de Porto Alegre afirmou que os dois seguranças do mercado já estão presos e serão indiciados por homicídio triplamente qualificado, por motivo fútil e por não darem chances de defesa à vítima.

O Carrefour disse "lamentar profundamente o caso" e afirmou que "adotará as medidas cabíveis para responsabilizar os envolvidos neste ato criminoso". O grupo também anunciou que rompeu o contrato com a empresa que contratava os seguranças envolvidos na morte de Freitas. 

Responsável pela contratação dos seguranças, o Grupo Vector disse, por meio de seu advogado, que lamenta profundamente os fatos ocorridos, se sensibiliza com os familiares da vítima e não tolera nenhum tipo de violência, especialmente as decorrentes de intolerância e discriminação.

Apesar do que é visto no vídeo onde Freitas é agredido com diversos socos no rosto, a Vector afirmou que “todos seus colaboradores recebem treinamento adequado inerente às suas atividades”. 

A empresa diz ainda que já iniciou os procedimentos para apuração interna acerca dos fatos e tomará as medidas cabíveis. O grupo também diz estar à disposição das autoridades para apuração do caso. 

Pelas redes sociais, o representante da Coalizão Negra por Direitos, Douglas Belchior, chamou o caso de “crime bárbaro” e disse que o Carrefour precisa ser responsabilizado pela morte. 

*sob supervisão de Evelyne Lorenzetti 

 

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