Estudante é morta por namorado após ser mantida refém em faculdade no RJ

Mayara Pereira de Oliveira Fernandes foi morta após levar um tiro no rosto, depois de cerca de duas hora e meia sendo mantida refém pelo namorado em carro

Iuri Corsini*, da CNN, no Rio de Janeiro
27 de novembro de 2020 às 19:28
Centro Universitário da Valença (RJ) - UNIFAA
Foto: UNIFAA

Terminou em tragédia o sequestro de uma mulher em uma faculdade de Valença, no sul do estado do Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (27).

Mayara Pereira de Oliveira Fernandes foi morta após levar um tiro no rosto, depois de cerca de duas hora e meia sendo mantida refém pelo namorado, dentro de um carro, no estacionamento da universidade. O assassino foi identificado como Janitom Celso Rosa Amorim, que é policial militar.

A estudante foi encaminhada e socorrida no Hospital Escola de Valença, porém, não resistiu aos ferimentos. A morte da jovem foi confirmada pela Polícia Militar e pelo Centro Universitário de Valença (UNIFAA), onde a jovem estudava. 

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Mayara era estudante do curso de pós-graduação em Odontologia. 

Segundo relatos, a discussão entre o casal começou por volta das 9h. Ao perceberem que o homem estava armado, a polícia foi acionada. 

Foram mais de duas horas de negociação com a Unidade de Intervenção Tática (UIT) do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), que foi deslocada até o local após receber a denúncia.

Logo depois de atirar contra a namorada, Janitom foi imobilizado pelos policiais, algemado e levado para a delegacia da cidade. Conforme a PM informou, o homem foi preso e responderá pelo crime na esfera civil e militar. 

Em nota, a UNIFAA lamentou o “absurdo caso de feminicídio” e disse que o caso “infelizmente reflete um cenário nacional de violência contra a mulher”.  

“Vivenciar essa situação é revoltante e extremamente entristecedor. Nos sentimos impotentes ao testemunhar, mesmo com ação imediata da polícia no local, um desfecho trágico”, disse, em nota, a UNIFA, que suspendeu todas as aulas presenciais até a próxima segunda-feira (30)

Em relatos nas redes sociais, o assassino era visto com frequência armado na faculdade, monitorando os passos da namorada. 

Confira a nota da PM, na íntegra:

A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, na manhã desta sexta-feira (27/11), policiais do 10°BPM (Barra do Piraí) foram acionados para o estacionamento de uma universidade na cidade de Valença, no Sul do Estado do Rio, onde um homem ameaçava com arma de fogo uma mulher.

No local, os policiais constataram o fato e seguiram os protocolos das ocorrências com refém. A Unidade de Intervenção Tática (UIT) do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) foi acionada e imediatamente deslocada de helicóptero para o município.

Ainda durante a negociação preliminar, o tomador de refém, que foi identificado como um policial militar, atirou contra a vítima. Ela foi socorrida ao Hospital Escola de Valença, mas infelizmente não resistiu aos ferimentos. O policial militar foi preso e responderá pelo crime na esfera civil e militar.

A Polícia Militar repudia com veemência a atitude do policial e se solidariza com a família da Mayara Pereira de Oliveira.

A ocorrência está sendo registrada  na 91ªDP (Valença) e na 5ªDPJM (Barra do Piraí), onde será iniciado o Processo  Administrativo Disciplinar (PAD).  

Leia a nota, na íntegra, do Centro Universitário de Valença - UNIFAA:

É com enorme pesar que comunicamos o falecimento da nossa aluna de Pós-graduação, Mayara Pereira de Oliveira Fernandes.

Hoje (27/11), vivenciamos um trágico e absurdo caso de feminicídio em nosso campus. Um homem armado fez de refém, agrediu e atirou em uma aluna dentro do estacionamento da Fundação.

Um acontecimento inesperado em uma cidade tão tranquila quanto Valença, mas que infelizmente reflete um cenário nacional de violência contra a mulher.  

Vivenciar essa situação é revoltante e extremamente entristecedor. Nos sentimos impotentes ao testemunhar, mesmo com ação imediata da polícia no local, um desfecho trágico.

A vítima foi conduzida ao hospital pela ambulância Samu, mas não resistiu. O assassino foi conduzido à 91ª Delegacia de Polícia Civil.

Estamos todos muito abalados e unidos em pensamento pela família da Mayara.

Seguimos colaborando com autoridades no desdobramento da situação e à disposição da família para suporte nesse momento de dor.

*Sob supervisão de Robson Santos